Quem foi Luciana Novaes, ex-vereadora vítima de bala perdida em 2003
Primeira parlamentar tetraplégica eleita no Rio, ela atuou na Câmara Municipal por três mandatos, na defesa de pessoas com deficiência e vítimas da violência
Morreu nessa segunda (27), aos 42 anos, a vereadora carioca Luciana Novaes (PT), que teve sua trajetória marcada aos 19 anos por uma bala perdida, quando cursava enfermagem na Universidade Estácio de Sá, no campus Rio Comprido, na Zona Norte, em 2003. Ela sobreviveu ao diagnóstico de apenas 1% de chance de vida, mas ficou tetraplégica. A causa da morte não foi divulgada. A parlamentar enfrentava problemas de saúde desde o fim do ano passado, quando foi internada em estado grave. Ela sofreu uma “intercorrência súbita e grave, compatível, segundo informações médicas, com rompimento de aneurisma cerebral”, com “piora crítica de seu quadro neurológico”, tendo passado por protocolo de morte cerebral, que consiste em uma série de exames para confirmar a parada completa e irreversível das funções do cérebro e tronco encefálico, segundo informou a nota de pesar divulgada pela Câmara Municipal do Rio. O prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) decretou luto oficial de três dias em uma edição extra do Diário Oficial, à noite.
Luciana não só superou as dificuldades, como se adaptou à nova vida, numa cadeira de rodas e dependente de ventilação mecânica. Voltou a estudar e se formou em serviço social, tendo concluído pós-graduação em gestão governamental. Em 2016, elegeu-se pela primeira vez vereadora, o que fez dela a primeira pessoa tetraplégica a ocupar uma cadeira na Câmara Municipal carioca. Foi campeã de leis aprovadas no primeiro dos três mandatos. Em 2020, no auge da pandemia, não conseguiu fazer campanha na rua por ser do grupo de risco, mas mesmo assim teve 16 mil votos, ficando como primeira suplente. Em 2022, concorreu ao cargo de deputada federal e obteve mais de 31 mil votos, ficando com a segunda suplência, do PT no Rio e Janeiro. Em 2023, retornou à Câmara Municipal do Rio.
As pautas de Luciana Novaes eram fortemente orientadas pela sua vivência pessoal como mulher com deficiência e vítima de violência urbana. Ela foi presidente da Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência na Câmara e autora da Lei 8.781/2025, que institui a Política Municipal de Rotas Acessíveis do Rio, pela locomoção a pessoas com deficiência, mobilidade reduzida e idosos. Também foi autora de projetos que garantiram vagas prioritárias em escolas próximas para alunos com deficiência e processos avaliativos que respeitam as necessidades de estudantes com deficiência intelectual. Luciana defendia ainda os direitos dos idosos, inclusão de pessoas em situação de rua, transparência e combate à corrupção e superação da pobreza e desigualdade.
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“Luciana foi mais do que uma parlamentar atuante. Foi símbolo de perseverança e superação. Mesmo diante de uma das maiores adversidades que alguém pode enfrentar, encontrou forças para reconstruir sua vida e se dedicar ao serviço público com dignidade, sensibilidade e compromisso com quem mais precisa”, diz a Câmara Municpal, em nota, acrescentando que, ao longo de sua atuação, “deixou um legado consistente de quase 200 leis”.







