Morte no palco de Shakira: montagem é suspensa para perícia da Polícia Civil
Gabriel de Jesus Firmino, de 28 anos, foi prensado entre dois elevadores; polícia vê indícios de negligência da empresa responsável pelo trabalho
A Polícia Civil do Rio constatou indícios de negligência no acidente que levou à morte de um serralheiro contratado para a montagem da estrutura do palco da cantora Shakira, nas areias da Praia de Copacabana. Gabriel de Jesus Firmino, de 28 anos, foi prensado entre dois elevadores de serviço, de baixo para cima, neste domingo (26). Os policiais realizaram nova perícia nesta segunda (27) no local, o que chegou a suspender os trabalhos no canteiro. Segundo a Bonus Track, a paralisação não impactou a montagem do palco, já que o cronograma do evento segue dentro do prazo. O show gratuito da colombiana está marcado para o próximo sábado (2) e faz parte do projeto “Todo Mundo no Rio”, que leva apresentações internacionais para a orla de Copacabana. O caso é investigado pela 12ª DP (Copacabana).
Após a inspeção, a montagem do palco foi liberada. A perícia deve trazer novos resultados em 30 dias. Mas, segundo o delegado Ângelo Lages, que foi pessoalmente ao local acompanhar o serviço dos técnicos, foi constatada a inobservância de algumas regras de segurança do trabalho que deveriam ter sido tomadas pela empresa que foi contratada para a montagem. “E precisamos avançar também na questão dos técnicos de segurança do trabalho que estavam presentes aqui: por que eles não perceberam que estava sendo feita uma manobra de forma equivocada? O serralheiro estava operando o equipamento dentro do equipamento. Isso de forma alguma é permitido. Ele deveria estar do lado de fora para que este equipamento fosse movimentado. Infelizmente isso não aconteceu e ele veio a falecer”, disse o delegado à Globonews.
Se ficarem comprovadas negligência, imprudência ou imperícia, os responsáveis podem responder por homicídio culposo. “A princípio, o que a gente entendeu é que ele estava soldando uma peça. Um elevador estava baixo, e o outro alto, e ele teria dado um comando para o outro operador baixar o equipamento e acabou que ficou pensado ali entre os dois equipamentos”, explicou ele, mais cedo. O funcionário que acionou o equipamento estava a 25 metros de distância quando deveria estar bem mais próximo”, pontuou o delegado. Ele explicou que a investigação ainda está no início, mas sócios da empresa podem ser responsabilizados pela morte por não terem garantido condições adequadas de trabalho para evitar o acidente. Se nenhum crime for identificado, a ocorrência será tratada como acidente de trabalho, sem responsabilidade criminal.
Gabriel morava em Magé, na Baixada Fluminense, e trabalhava na MG Coutinho Serviços Cenográficos (Cenoart), empresa responsável pela montagem dos elevadores. O serralheiro chegou a ser socorrido por integrantes da brigada de incêndio e, depois, foi levado por uma ambulância do Corpo de Bombeiros ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, mas não resistiu aos ferimentos. Até o momento, apenas o representante da empresa foi ouvido pela polícia. “A gente vai ouvir o proprietário, os funcionários, a gente também quer ouvir as testemunhas que estavam aqui no local, o responsável técnico, ou seja, é uma investigação que vai ser lenta, porque ela precisa ser uma investigação técnica para que ao final a gente consiga ter uma determinação do que de fato aconteceu aqui”, disse Lages.
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Confira a nota da Bonus Track
“A organização do evento confirma que um acidente na tarde deste domingo (26/04) lamentavelmente vitimou um profissional que atuava na montagem das estruturas para o show. Os socorristas prestaram o primeiro atendimento no local e o Corpo de Bombeiros foi imediatamente acionado para o transporte do paciente. Infelizmente, o profissional veio a óbito no hospital. Neste momento, estamos prestando todo apoio, acolhimento e solidariedade à empresa responsável, sua equipe e aos familiares da vítima”.
Veja a nota do Corpo de Bombeiros
“O Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ) informa que foi acionado, na tarde deste domingo (26.04), para salvamento de pessoa em estrutura de montagem de palco na Praia de Copacabana, onde será realizado evento musical.
De acordo com relatos de profissionais que estavam no local, um trabalhador sofreu esmagamento de membros inferiores em um sistema de elevação. Antes da chegada das equipes, a vítima já havia sido retirada do equipamento por outros funcionários presentes.
Militares da ambulância do 3º Grupamento Marítimo (GMAR-Copacabana) iniciaram imediatamente o atendimento pré-hospitalar na vítima, que foi conduzida ao Hospital Municipal Miguel Couto. Apesar dos esforços das equipes de socorro, o óbito foi constatado”.





