MPT vai investigar Índia Armelau, deputada mais votada do Rio, após postagem
Ela usou as redes sociais para sugerir que patrões demitam funcionários que apoiaram Lula: 'odeiam empresários'
O Ministério Público do Trabalho do Rio abriu uma investigação para apurar se a deputada estadual Índia Armelau (PL), a mais votada do estado, cometeu “eventual prática de conduta que incentive a realização de dispensa discriminatória por empregadores”. Ela usou as redes sociais para sugerir que empresários investiguem as manifestações políticas de seus funcionários e dizer que não faz sentido patrões manterem “quem odeia empresários”. À tarde, a Justiça do Trabalho atendeu parcialmente pedido do MPT-RJ, que ajuizou ação civil pública contra a parlamentar, e determinou, em decisão liminar, que ela se abstenha de promover atos que incentivem empregadores a discriminar, demitir ou perseguir trabalhadores por suas convicções políticas.
Nas publicações, Índia sugere: “Empresário, olha a rede social do teu funcionário aí e confere se ele fez ‘L’”. “Acho que não faz sentido nenhum manter na tua empresa quem odeia empresários”, concluiu ela, que tem que conta com cerca de um milhão de seguidores. Em vídeo, a deputada disse que seus posts eram em apoio à campanha “Não Contrate Quem Odeia Empresário” e negou ter defendido demissões em massa. Afirmou que, como empresária, não quer contratar pessoas que considera contrárias aos empresários e defendeu que empregadores conservadores contratem quem tenha o mesmo pensamento político.
Na decisão, o juiz do Trabalho Leonardo Saggese Fonseca destaca que “sendo a ré uma integrante do parlamento, mas do que qualquer outro cidadão, deve prezar pela liberdade de expressão, desde que respeitosa, deve fomentar a democracia e aceitar as diferentes opções políticas de cidadãos e trabalhadores, sem utilizar de discursos e falas que podem gerar pela sua leitura ou escuta, sentimentos de ódio, perseguição ou discriminação.”
A liminar também determina que a deputada remova as comunicações e publicações que deram origem à ação civil pública dos locais em que foram divulgadas, especialmente sites, perfis em redes sociais e aplicativos de mensagens. Em caso de descumprimento, será aplicada multa diária de R$ 5 mil, a partir do primeiro dia útil seguinte ao término do prazo de 48 horas para cumprimento da determinação.
+ Para receber VEJA RIO em casa, clique aqui
Ao comentar a anunciada apuração do Ministério Público do Trabalho (MPT), a parlamentar alegou cerceamento da liberdade de expressão. Também voltou a defender a divisão do Brasil entre apoiadores do PT e conservadores e fez declarações depreciativas sobre o Nordeste, associando a região à violência, ao analfabetismo e à pobreza.






