Raça, amor e paixão: muro do Flamengo deixa transbordar cultura rubro-negra
Até Zico deu pitaco no trabalho dos artistas que o homenagearam: 'Pinta direitinho, que esse cara jogava legal', disse, ao passar de carro
Com a maior torcida do Brasil e uma das grandes do mundo, o Flamengo não é de ficar em cima do muro. A prova disso está nas paredes que marcam os limites do clube da Gávea: com mais de 350 metros, elas viraram tela para painéis de arte urbana criados por craques como Marcelo Jou, Ian Salamente e Guga Liuzzi a fim de extravasar símbolos da cultura rubro-negra.
“O desafio era materializar o que é ser Flamengo, aquele time que a gente encontra em cada esquina e que desperta um sentimento que parece imaterial”, conta Desiree Reis, gerente de Patrimônio Histórico, que trabalhou na curadoria das artes e na idealização do museu a céu aberto, que começou no lado da Rua Mario Ribeiro, avançou pela Ministro Raul Machado e acaba de se estender à Gilberto Cardoso. Mais de 150 litros de tinta acrílica e 55 latas de spray já foram usados em desenhos como o que retrata a obra do cartunista Henfil (1944-1988), resgatando a memória do urubu, mascote do clube; e o que homenageia Zico – “nosso representante maior”, resume Desiree.
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Segundo ela, muitos flamenguistas paravam o carro para dar pitacos durante as pinturas. “É bom porque o torcedor participou dizendo o que é ser Flamengo. Deve até ter tido impacto no trânsito”, brinca a gerente, contando que um deles foi o próprio Galinho de Quintino: “Ele abriu o vidro e brincou: ‘Pinta direitinho, que esse cara jogava legal'”.







