Batida por trás dos clássicos: Paulinho da Costa marcou o pop mundial
De Madonna a Michael Jackson, o carioca ajudou a moldar o som do pop global e agora se prepara para entrar na Calçada da Fama de Hollywood
Por maiores que sejam seus feitos, dificilmente os instrumentistas se tornam tão conhecidos como os artistas a quem acompanham. Com Paulinho da Costa não foi diferente. Nascido em 1948 no Rio, tornou-se um dos percussionistas mais importantes da história do pop internacional e um dos maiores divulgadores da batida brasileira no mundo.
Cultuado por pesquisadores musicais, seu nome nunca teve o reconhecimento popular merecido, fato que está mudando em 2026. Enquanto aguarda para ser a primeira pessoa nascida no Brasil a receber uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood, o carioca celebra o lançamento de The Groove Under The Groove – O Som de Paulinho da Costa, documentário lançado na Netflix que narra a sua trajetória pessoal e profissional.
“Ele tem uma vaidade muito bem colocada, não é preso a essa coisa da fama e toca com respeito à música, ao artista e à própria história”, conta Oscar Rodrigues Alves, diretor do filme. Sem esconder as lágrimas, o autor do longa-metragem conta que não foi fácil convencer o homenageado a realizar a produção: “Foram onze anos até a película chegar às telas. Quando o Quincy Jones sofreu um ataque cardíaco e quase faleceu, Paulinho e Arice, sua esposa, entenderam a importância de celebrar tudo isso em vida”.
Os primeiros batuques de Paulo Roberto da Costa foram nos móveis de casa, no Irajá, Zona Norte do Rio, e, na adolescência, se expandiram para a ala jovem da Portela e os terreiros de candomblé. A carreira decolou em 1972 quando recebeu o convite para integrar a banda Brasil 77′, de Sérgio Mendes, que abriu as portas do mercado fonográfico internacional para o carioca.
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Além do sorriso sempre estampado no rosto, o músico se destacou pelo uso da parte traseira das mãos no toque e por uma abordagem sempre a serviço da música – independentemente do arranjo pedir um set completo de percussão ou apenas uma clave de madeira. “Entreguei meu coração e esse calor que vem do Brasil, e os artistas abraçaram. O arsenal precisa estar sempre pronto e o músico preparado para tocar muito ou pouco”, revela.
Radicado em Los Angeles desde a década de 1970, gravou com uma lista infindável de ícones como Michael Jackson, Talking Heads, Madonna, George Benson, Djavan e Rita Lee, além de participar das trilhas de filmes como A Cor Púrpura e O Parque dos Dinossauros.
“Hoje em dia é comum misturar samba com funk americano, latinidade com pop, mas ele foi pioneiro. Tem um bom gosto que usa para construir os sons através das texturas, da respiração. A forma como ele brinca com as melodias das músicas me influencia muito, tento trazer isso para o meu trabalho”, comenta o percussionista Kainan do Jêje que, a exemplo de Paulinho, já tocou com nomes importantes de diferentes segmentos, como Caetano Veloso, Esperanza Spalding, Orkestra Rumpilezz e o projeto Dominguinho.
Aos 77 anos, o músico está atuando na campanha de promoção do longa-metragem, enquanto aguarda para a cerimônia de sua entrada na Calçada da Fama de Hollywood, que será realizada em 13 de maio. “É uma coisa seríssima, o reconhecimento de 50 anos de trabalho e contribuição para a música. Vejo como um momento lindo não só para mim, mas para todos os brasileiros, e espero que abra as portas para a celebração de outros artistas no nosso país”, reflete. Quando fala sobre o futuro, vê a tecnologia como aliada: “Temos que aprender a andar ao lado das inovações, fiz isso quando a bateria eletrônica surgiu e não será diferente com a IA”.
Embora não esteja envolvido em nenhuma gravação no momento, o percussionista se mostra entusiasmado em continuar a contribuir com hits universais através de seu toque inconfundível, além de incentivar as gerações mais novas. “A orelha está aberta, a inspiração ainda está aqui e eu quero continuar contribuindo com o espírito e inspirando os jovens que estão caminhando”. Nas mãos de Paulinho da Costa, o batuque brasileiro seguirá brilhando.
Ele estava lá: O instrumentista participou de milhares de gravações
6717 canções com 972 artistas Entre elas, Thriller, de Michael Jackson, La Isla Bonita, de Madonna, All Night Long (All Night), de Lionel Ritchie, I Will Survive, de Gloria Gaynor, e Give Me The Night, de George Benson
161 gravações indicadas ao grammy 59 premiadas
180 álbuns e singles ganharam disco de ouro e platina
350 trilhas sonoras de filmes 12 levaram o Oscar







