Correndo o risco de virar ‘persona non grata’, Porchat faz piada com heteros
Após projeto de lei passar na Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, humorista tratou as acusações com ironia nas redes
Homem com H maiúsculo, o ator e humorista Fábio Porchat aproveitou o fato de ter sido comparado ao também ator Juliano Cazarré, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), para provar — com humor e ironia — que não precisa de cursos de masculinidade.
Em um vídeo postado nos stories, o humorista mostrou as máscaras que pregou — sozinho — na parede do novo apartamento, no Edifício Chopin, em Copacabana.
“Eu peguei o martelo e preguei pregos! Fiz minha cota de homem hétero, porque eu preguei e quebrei, bruto“, afirmou o artista em tom de brincadeira.
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A piada veio após um projeto de lei para torná-lo persona non grata ser aprovado na CCJ da Alerj e encaminhado para uma decisão final em plenário, nesta quarta (13).
E não parou por aí…
Após a repercussão da votação tomar conta das redes ao longo desta quinta-feira (14), o humorista publicou um vídeo no Instagram no fim da tarde, em que — munido de muitas lágrimas e ainda mais ironia — agradece aos políticos por trás do projeto de lei.
“Eu tenho 20 anos de carreira, já ganhei prêmios, mas eu nunca pude imaginar que conseguiria chegar neste lugar. Deputado chateado comigo? É um negócio que enche o meu peito de orgulho!”, debocha.
Entre os comentários fez referência nominal a deputada Sarah Poncio (Solidariedade), cujos pais a pastora Simone Poncio e o pastor Márcio Poncio, conhecido como “Pastor do Cigarro” são conhecidos por atuar no setor de tabaco.
“Eu recebi voto de gente da família Poncio, uma família que tem uma trajetória linda no Rio de Janeiro”, caçoou.
Em um discurso de gratulação, citou o apoio da família, do Porta dos Fundos e dos parlamentares. Sem sair do personagem, usou o momento para trazer à tona — em tom ácido — críticas diretas ao trabalho dos membros da câmara.
“Poderiam estar debatendo sobre a segurança pública do Rio ou quem vai ser o governador, poderiam estar atrás de milícia, poderiam estar tentando levar saneamento básico para as comunidades, mas, não, estão pensando em mim”, alfinetou.
Porchat prosseguiu comparando-se a outras figuras que não receberam o título de persona non grata pela Alerj, como: Flor de Lis, os irmãos Brazão — que já comandaram a Alerj até — e Fabrício Queiroz.
Antes de finalizar, em clima de ano de eleição, o comediante reconheceu que este é apenas o primeiro passo e ainda faltam os votos do parlamento.
“Eu preciso de 41 votos, fica aqui meu apelo, por favor, pense com carinho. Me dá essa chance. Eu prometo que vou continuar fazendo os vídeos de comédia, sempre. Vou continuar xingando político filho da p*ta. Obrigado!”, enlaçou.
Como foi a votação do PL
Depois da primeira votação do projeto apresentado pelo deputado Rodrigo Amorim (PL), presidente da CCJ, terminar em 3 a 3, na semana passada, o tema voltou à agenda da comissão e desta vez ficou em 4 a 2.
Votaram a favor os deputados Alexandre Knoploch (PL), Fred Pacheco (PL) e Marcelo Dino (PL). Os votos contrários foram dos deputados Carlos Minc (PSB) e Luiz Paulo (PSD).
Nas redes, Amorim publicou um vídeo de comparação entre o comediante e Cazarré — alvo de polêmica recente por lançar um curso de masculinidade com viés cristão.
Na postagem, enquanto Porchat afirma que religiosos não podem querer interferir na sua vida por conta de suas crenças, Juliano Cazarré suplica por mais homens rezando. Amorim propõe ainda uma honraria a Cazarré.
Um dos votos contrários ao projeto, o deputado Carlos Minc pensa que não é possível criar uma lei contra uma pessoa específica, o que fará com que ela não seja sancionada, na sua avaliação. Portanto, teria apenas um efeito simbólico.
“Na verdade, persona non grata é um instrumento de ação diplomática internacional. É usada para uma figura de determinado país não entrar no seu. Não se aplica em um caso como esse”, explica Minc.
“Outra coisa é que um projeto de lei tem que ter um efeito genérico, não se faz uma lei para uma pessoa. Isso caberia, por exemplo, uma moção de desagravo ou de protesto, que é algo muito mais simples”, continua.
“Um deputado tem o direito de achar que um personagem é nocivo para a sociedade, mas isso não é uma lei. Lei é uma coisa que passa por comissões, é votada, sancionada pelo governo. Essa seguramente não será. É uma mise-en-scène” enlaça o deputado.





