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Como o raciocínio lógico e cursos de idiomas podem ser aliados dos idosos

A ciência comprova: parar de aprender envelhece

Por Renata Busch
5 dez 2025, 09h03 •
Portrait senior couple using smartphone at home
Na prática: estudo da UFRJ mostrou que idosos com problemas de memória que praticaram neurogames passaram a ter facilidade com as tarefas do dia a dia (Andreswd/e+/Getty Images/Divulgação)
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  • Na era digital, até mesmo as corriqueiras palavras-cruzadas passaram por uma evolução tecnológica. E a mente agradece.

    Valendo-se de recursos que estimulam o vocabulário e a memória semântica, os neurogames atuam em vários domínios cognitivos simultaneamente, o que resulta em ganhos amplos e duradouros para o cérebro.

    Esse tipo de jogo digital tem protocolos científicos validados e exercícios que se ajustam ao desempenho de cada usuário.

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    Pioneiro no Brasil, o estudo realizado pelo Laboratório de Neurociências e Aprimoramento Cerebral (LabNACe), da UFRJ, comprovou que idosos com problemas leves de memória que praticaram neurogames por dez horas – em sessões de quinze minutos, pelo menos duas vezes por semana – apresentaram melhora na capacidade funcional e mais facilidade para realizar tarefas diárias.

    “O treino baseado em evidências científicas é mais eficaz do que o uso de jogos recreativos para manter o cérebro ativo e blindá-lo contra o declínio cognitivo”, destaca o neurocientista e professor do Instituto de Psiquiatria da UFRJ Rogério Panizzutti.

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    A ciência já confirmou que o cérebro mantém a plasticidade mesmo em idades avançadas. Portanto, estimulá-lo é benéfico. Tocar um instrumento, ler regularmente, fazer trabalho voluntário e aprender algo novo são atividades relacionadas a um menor risco de demência.

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    Um artigo publicado na revista Nature Aging indica que quem domina vários idiomas envelhece mais lentamente em comparação com quem fala apenas uma língua. “Mesmo que não haja fluência, esse processo traz benefícios”, aponta Analigia Martins, diretora do Duolingo no Brasil.

    No Rio de Janeiro, os alunos 60+ passam duas vezes mais tempo fazendo lições no aplicativo que os das outras faixas etárias. Os idiomas preferidos em solo fluminense são inglês, espanhol, francês e italiano.

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    Duolingo Crédito_ Arthur Nobre.jpg
    Modelo de aluno: no Rio, os 60+ passam duas vezes mais tempo no aplicativo Duolingo que as outras faixas etárias, comenta a diretora Analigia Martins (Arthur Nobre/Divulgação)

    O processo de ensino para idosos também passa pela regularidade do aluno. “Nunca é tarde para aprender, e pequenos avanços trazem uma enorme sensação de realização. Muitas vezes, é na maturidade que o processo de aprendizagem se torna prazeroso”, explica Bruna Vitorino, pedagoga e especialista em educação na rede Kumon que atende os 60+ com língua estrangeira e raciocínio lógico.

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    Quando o assunto é cuidado cognitivo na terceira idade, cultivar relações sociais também traz benefícios. Viúva desde 2013, Maria Lúcia Miranda Figueiredo, 82, moradora do Flamengo, resolveu entrar no curso Supera não só para afiar a mente, mas para fazer novas amizades.

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    Semanalmente, durante duas horas e meia, a professora de inglês aposentada encontra outros nove idosos para “malhar o cérebro” debatendo temas relevantes, participando de jogos de tabuleiro e on-line e resolvendo operações matemáticas.

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    “Passei a ser convidada para bailinhos e entrei para um clube de intercâmbio. Já estive na Hungria e, em 2026, vou para a Suíça”, conta. A boa disposição física e mental permite que ela dirija na estrada durante seis horas, com frequência, até os arredores de São João del Rei (MG), onde realiza trabalho voluntário.

    “O desenvolvimento das habilidades cognitivas, emocionais e sociais não termina na escola ou na universidade. É preciso alimentar a curiosidade”, explica a pedagoga do Kumon Bruna Vitorino. A tendência é que as tecnologias dos neurogames ganhem mais espaço. “Por ser uma tecnologia digital, é menos oneroso ampliar o acesso, o que resulta em menos custos relacionados à saúde no futuro”, avalia o médico Rogério Panizzutti. Cérebro ativo combina com vida longa e saudável.

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