Fortuna desperdiçada: Rio joga no lixo até 720 milhões de reais por ano
Apesar de gerar 3,4 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos, menos de 1% desse volume é reciclado; Veiga de Almeida fez as contas do prejuízo
A cidade do Rio de Janeiro joga no lixo até 720 milhões de reais por ano. Esta é a conclusão a que chegou uma nova pesquisa do Mestrado em Ciências do Meio Ambiente da Universidade Veiga de Almeida, com base em dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa). Apesar de gerar cerca de 3,4 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos, menos de 1% desse volume é reciclado — considerando recicláveis secos, como plástico, papel, metal e vidro, além da fração orgânica destinada à compostagem ou geração de energia.
Se apenas 10% do total fosse reaproveitado, seria possível movimentar até 145 milhões de reais por ano. Caso esse índice chegasse a 50%, o valor alcançaria os 720 milhões. “Os esforços enveredados nas últimas décadas para gestão de resíduos ampliaram a coleta, fazendo com que a gente saísse da Idade Média: já não jogamos tudo diretamente num terreno baldio, como na época dos lixões”, constata Carlos Eduardo Canejo, professor responsável pelo levantamento, lembrando que a disposição final deles em aterros sanitários é considerada ambientalmente adequada.
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Mas é pouco para que todo o trabalho de separação também não seja em vão. Na prática, não há escala nem integração suficientes para alterar o destino final dos resíduos, fazendo com que materiais com alto potencial de reaproveitamento continuem sendo tratados como rejeitos. “Faltam políticas públicas que abram caminho para a chegada deles à indústria”, alerta Canejo. Estas medidas estão longe de ser um luxo.







