Rio é a sexta pior capital brasileira para andar de bicicleta
Entre os problemas enfrentados por ciclistas, pedestres e motoristas estão a falta de malha viária, de regras claras de uso e de fiscalização
Com o crescimento acelerado do número de bicicletas elétricas no Rio, aumentam também os problemas enfrentados por ciclistas, pedestres e motoristas. Entre eles estão a falta de ciclovias, de regras claras de uso e de fiscalização. A prefeitura não tem dados oficiais sobre quantas bikes desse tipo circulam na cidade. Segundo a CET-Rio, o município tem cerca de 500 quilômetros de infraestrutura cicloviária. Mas a convivência entre modais segue marcada pela desorganização. Motoristas reclamam da circulação no meio do trânsito, pedestres se sentem ameaçados nas calçadas e ciclistas relatam insegurança. Não por acaso, em termos proporcionais, a capital fluminense aparece como a 6ª pior capital do Brasil em infraestrutura cicloviária por habitante – foi a 6ª do país que menos aumentou infraestrutura para bicicletas.
Em 2023, a Secretaria municipal de Transportes apresentou o Plano de Expansão Cicloviária — o CicloRio, com a meta de ampliar a malha para mil quilômetros até 2033. Mas em um ano, a extensão das ciclovias aumentou apenas 1,9%, segundo dados da associação de empresários e lojistas do setor. Isso significa cerca de 10 quilômetros a mais dos 457 que a cidade possuía em 2023.
Sem espaço definido, ciclistas circulam pelas calçadas ou dividem vias com carros, chegando a se arriscar em vias movimentadas e até em locais proibidos, como o Túnel Santa Bárbara, na Zona Sul, o que amplia o risco de acidentes e conflitos. Na Rua Conde de Bonfim, na Tijuca, onde um acidente recente terminou com as mortes de mãe e filho, moradores cobram há anos mais segurança e organização do trânsito.
Especialistas ouvidos pela TV Globo afirmam que medidas simples poderiam reduzir os riscos, como a diminuição da velocidade das vias, a melhoria da sinalização e a ampliação de espaços exclusivos para bicicletas. “A primeira coisa a fazer é buscar reduzir velocidade das vias que a gente quer que sejam mais agradáveis para todos os modais. Segundo, melhorar a sinalização. Onde der para botar a ciclovia, a gente bota a ciclovia bem-sinalizada, com placas, com pintura. E onde a gente só tiver uma ciclo-rota, a gente também sinaliza: ‘Olha aqui, a bicicleta é bem-vinda, a bicicleta pode passar por aqui, a gente tem uma sinalização horizontal presente, uma sinalização vertical'”, diz a professora Marina Baltar, da Coppe/UFRJ. De acordo com ela, é preciso ter em mente que a cidade não pode continuar sendo só pensada para o carro: “Existem muitos lugares que a gente vai ter que, sim, perder o estacionamento. A gente vai ter que perder alguma área que era utilizada para o carro para acrescentar área para os ciclistas, para os pedestres, que são os mais vulneráveis e que precisam de proteção”.
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Outro ponto central é a necessidade de regulamentação. Embora exista uma resolução nacional desde 2023 que estabelece regras para esses veículos, o Rio ainda não regulamentou como as normas serão aplicadas localmente. Na prática, isso impede a fiscalização e a aplicação de multas, deixando condutores e pedestres em um cenário de insegurança. Para os especialistas, a solução passa por uma decisão política.







