Por que os salsichinhas arlequins são a mais nova paixão dos cariocas

O visual que parece saído de um desenho animado ajudou a impulsionar a popularidade da raça, mas especialistas alertam: beleza não é tudo

Por Ana Beatriz Aprigio 26 jun 2026, 08h30 | Atualizado em 26 jun 2026, 14h50
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 (instagram @gioewbank/Reprodução)
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A vez dos mofadinhos!

Basta uma rápida caminhada por Copacabana, Ipanema, Leblon ou pelos condomínios da Barra para perceber que, depois da era de ouro do labrador, da supremacia do spitz alemão e da explosão do border collie, os salsichinhas “mofados” são os cachorros da vez. Os dachshunds de corpinho comprido, patas curtas e pelagem manchadinha de cinza, preto e marrom correspondem à variedade arlequim, causada pelo gene merle, e também dominam os feeds do Instagram e do Tiktok. Celebridades como Rafa Kalimann e Giovanna Ewbank, com mais de 20 milhões de seguidores nas redes, já têm mofadinhos para chamar de seus. “A partir de 2020, com a pandemia, muita gente que só chegava em casa para dormir mudou a relação com o próprio lar e houve uma curva ascendente na procura por cães de apartamento. Nesse contexto, o dachshund, que parece saído de um desenho animado, disparou na preferência dos tutores”, observa Marcelo Santos, cofundador do canil Cantinho do Arlequim, que se especializou na comercialização do tipo de pelagem manchada.

De origem alemã, o dachshund nasceu para ser um destemido caçador de animais de toca, como os coelhos. Suas patas curtas e peito rente ao chão são ferramentas anatômicas para cavar e puxar as presas. Distante da imagem romantizada popularizada pela internet, o salsicha é um animal de temperamento forte, independente, territorialista e teimoso. Apesar de extremamente apegado e dócil, pode fazer muita bagunça, roer objetos e reagir mordendo caso sinta que seu espaço foi invadido. Ele costuma viver entre dez e quinze anos e se adapta perfeitamente à vida em apartamentos. “O porte físico dispensa a necessidade de grandes quintais para gastar energia”, explica o veterinário Caio Alves, criador de dachshunds há uma década e proprietário do canil Espião Hound, onde a busca por filhotes de arlequim teve um aumento de 30% no último ano.

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A alteração genética que matiza os pelos não é motivo de preocupação. “O gene já está enraizado há muitos anos neles, e não há risco à saúde deles”, atesta Luis Eduardo de Almeida, professor colaborador de veterinária da UFF e presidente da Federação Cinológica do Estado do Rio de Janeiro (Fecerj). Os tutores, no entanto, devem ter atenção à coluna desses bichinhos, que têm propensão a hérnia de disco. “Cachorro não é tudo a mesma coisa. Informar-se sobre a origem e o comportamento antes de comprar ou adotar é fundamental”, arremata Almeida.

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O mercado dos “mofadinhos” no Rio varia de acordo com pelo, sexo e cor. Canis sérios cobram de 4500 a 6900 reais (fêmeas arlequins de pelo longo) — já os cães de exposição, com fenótipos e genótipos exemplares, podem custar cerca de 10000 reais. Marcelo Santos alerta que valores muito acima disso são fruto do apelo midiático. “Teve uma influenciadora que chegou a pagar 19000 reais por um filhote. Infelizmente, tem muita gente gananciosa buscando lucro fácil”, lamenta o criador. Ele reforça que, para frear esse mercado paralelo e clandestino de pets, cabe ao comprador exigir exames e garantia.

A fim de preencher o vazio deixado por Sofia, dachshund que viveu por 16 anos, Patrícia Florim, 51 anos, moradora de Copacabana, comprou por impulso a arlequim Nala, hoje com 1 ano e 3 meses. “Ela é arteira. Roeu sete chinelos, três protetores de braço de sofá e uma sandália com enfeite de metal, mas eu escolheria mil vezes essa raça. Nala trouxe a alegria de volta”, conta a instrumentadora cirúrgica, que investiu num plano de saúde pet, já que a primeira cachorrinha sofreu com um câncer de mama e graves problemas na coluna. Eles dão trabalho, mas o afeto compensa todo o esforço.  

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No topo da preferência 

As raças de cachorro mais populares no Rio 

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27,5% Vira-Lata (SRD) 

É o retrato do carioca: sociável, resistente e único. Afinal, a mistura de raças garante a verdadeira exclusividade. 

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14% Shih Tzu 

Perfeito para o ritmo de um apartamento, o doguinho não exige maratonas diárias. É dócil, calmo e companheiro. 

8,6% Yorkshire Terrier 

Fiel aos donos, esse gigante corajoso em formato miniatura leva muito a sério a missão de proteger sua família. 

3,8% Spitz Alemão (Lulu da Pomerânia) 

Alegre e ativo, está sempre pronto para interagir. Muito inteligente, ele aprende a rotina da casa num piscar de olhos. 

3,1% Pinscher 

Ele não conhece meio-termo. É vigilante e apegado ao seu tutor, compensando o tamanho miúdo com valentia e lealdade.

fonte: CensoPet 2025

Cachorro pinscher preto e marrom, com orelhas grandes e pontudas, olhando diretamente para frente com olhos curiosos, em um fundo cinza claro
Pinscher (Stock/Getty images/Divulgação)
Cachorro de porte médio, pelagem caramelo e branca, com orelhas caídas e olhos grandes e expressivos, olhando para frente em fundo branco
Cachorro Vira-Lata (Stock/Getty images/Divulgação)
Cachorro da raça Lulu da Pomerânia, de pelagem creme e branca, em pé, olhando para cima, em um fundo rosa vibrante
Spitz Alemão (Lulu da Pomerânia) (Stock/Getty images/Divulgação)
Cachorro yorkshire terrier sentado, com pelos longos e lisos em tons de marrom, cinza e dourado, orelhas pontudas e eretas, olhando para frente em um fundo branco
Yorkshire Terrier (Stock/Getty images/Divulgação)
Cachorro shih-tzu deitado em uma cama cinza, com pelos brancos e cinzas, e um topete preso com elástico verde
Shih-tzu (Stock/Getty images/Divulgação)
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O segundo salsichinha da familia: a instrumentadora cirúrgica Patrícia Florim conta que Nala, de 1 ano e 3 meses, já roeu diversos chinelos e até a proteção do braço do sofá, mas ela escolheria a raça mil vezes (Ana Paula Amorim/Veja Rio)
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