CV se instala em área da milícia em Jacarepaguá e moradores relatam medo
Da noite de réveillon para cá, segunda maior facção do país consolidou presença num trecho de aproximadamente 55 mil metros quadrados
Em pouco mais de um mês, o Comando Vermelho consolidou presença num trecho de aproximadamente 55 mil metros quadrados em Jacarepaguá, entre a Estrada Santa Maura e a Rua Abadiana, uma região historicamente dominada pela milícia, próxima à comunidade Asa Branca, controlada há mais tempo pelos traficantes. Trata-se de uma célula da segunda maior facção do país, que nos últimos anos trava guerras para expandir territórios não só no Rio, mas também em outros estados.
Segundo informaçãos do jornal O Globo, a tomada de território se deu pouco antes do réveillon deste ano, quando jovens armados passaram em disparada pela Estrada Virgolândia, anunciando a mudança de poder: “Agora é o Comando!”. De lá para cá, a rotina dos moradores já foi alterada pela nova lógica de medo, que vem sufocando o comércio local e levando trabalhadores a abandonar negócios construídos ao longo de décadas. “Eu fechei tudo porque fiquei com muito medo. Eles deram muitos tiros para o alto, gritavam. Nunca tinha visto nada parecido com isso aqui. Foi assustador”, relatou uma moradora ao jornal.
Relatos de moradores e informações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) dão conta de que muitos dos jovens que agora amedrontam a vizinhança são da própria comunidade, que agora assumirem funções ligadas ao CV, substituindo nomes de infância por apelidos. Em uma das aparições recentes, os criminosos chegaram num Volkswagen Gol vermelho, de onde desembarcaram ao menos sete homens armados. Logo atrás, motocicletas faziam a escolta do grupo. O bando extorquiu dinheiro de ao menos oito estabelecimentos somente nas ruas Pintibu e Abadiana e nas estradas Virgolândia e Santa Maura. De acordo com os comerciantes, a prática não ocorria da mesma maneira sob o domínio anterior da milícia. No primeiro dia de cobrança, homens armados conhecidos da vizinhança apareceram exigindo dinheiro. Em um dos casos, a cobrança ultrapassou mil reais de uma única vez. “Eles conhecem todos ali. Sabem onde os comerciantes moram, quem são seus parentes. Cresceram observando a gente”, disse ao Globo uma moradora.
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Ao jornal, a Polícia Militar diz, em nota, que “não há registros, confirmações ou evidências operacionais que indiquem expansão territorial de facções criminosas, em especial do Comando Vermelho, nas áreas de Vargem Grande, Vargem Pequena ou Recreio dos Bandeirantes”. A corporação sustenta que “há mais de dois anos não se verifica qualquer avanço territorial dessas organizações” nas regiões e destaca reduções em indicadores como roubo de rua, roubo de veículos e letalidade violenta.





