Tubarão-mako, o mais veloz do mundo, é avistado em Paraty

Flagrante da espécie, que atinge 90 quilômetros por hora, é o primeiro registro documentado por imagens na Baía da Ilha Grande

Por Elisa Torres 15 jul 2026, 12h50 | Atualizado em 15 jul 2026, 19h22
Tubarão-mako azul-acinzentado nadando em águas claras e rasas, visto de cima, com um pequeno peixe-piloto próximo à sua barbatana dorsal
Tubarão à vista: pescadores da comunidade da Ponta Grossa, na Baía da Ilha Grande, registraram um tubarão-mako, raro de se observar próximo à costa (./Reprodução)
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Um tubarão-mako (Isurus oxyrinchus), considerado o mais veloz do planeta, foi avistado nesta terça (14) próximo à comunidade da Ponta Grossa, em Paraty. As imagens, registradas por pescadores artesanais e encaminhadas aos pesquisadores do Projeto Tubarões da Baía da Ilha Grande, representam o primeiro registro documentado da espécie na região.

Mulher sorridente, de cabelos escuros, usando boné preto com PROJETO TUBARÕES DA BAÍA DA ILHA GRANDE e camiseta verde com BR PETROBRAS, em uma praia com barcos no mar e vegetação ao fundo
A pesquisadora Maiara Pimenta recebeu as imagens exclusivas do tubarão-mako (Instagram/Reprodução)

Embora a baía seja conhecida por abrigar tubarões-galha-preta e pescadores relatem há décadas a presença do mako, nunca havia sido obtida uma fotografia ou vídeo que comprovasse sua ocorrência naquele trecho do litoral sul fluminense. “Registrar um mako, cuja velocidade pode chegar a 90 quilômetros por hora, é muito incomum, principalmente próximo à costa, e só confirma a potência da biodiversidade dessa região”, afirma Leonardo Mitrano Neves, professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), biólogo e coordenador científico do Projeto Tubarões da Baía da Ilha Grande.

Mulher sorridente em primeiro plano, tirando selfie com um grupo de cerca de 15 pessoas em uma praia. Todos usam bonés verdes e alguns seguram cartazes com imagens de tubarões. Ao fundo, um banner branco com texto invertido e o mar
Maiara Pimenta: bióloga que recebeu as imagens é responsável pelo trabalho de aproximação entre a equipe científica e as comunidades da baía (Tubarões da Ilha Grande/Divulgação)

As imagens chegaram à equipe por meio de Maiara Pimenta, bióloga e coordenadora de ações comunitárias do projeto Tubarões da Baía da Ilha Grande. Filha de pescadores e criada em Tarituba, em Paraty, ela lidera o trabalho de aproximação com as comunidades caiçaras, promovendo ações de conscientização sobre pesca sustentável e conservação dos tubarões. O envio espontâneo das imagens pelos pescadores é resultado dessa relação de confiança construída ao longo dos últimos anos.

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Realizado pelo Instituto Ibracon em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, o Projeto Tubarões da Baía da Ilha Grande monitora populações de tubarões há mais de três anos.

Além das pesquisas com drones, câmeras subaquáticas e expedições embarcadas, a iniciativa desenvolve um programa permanente de diálogo com pescadores artesanais de comunidades de Paraty, Angra dos Reis e Ilha Grande. O objetivo é unir conhecimento científico e saberes tradicionais para fortalecer a conservação marinha, incentivar práticas de pesca sustentável e criar oportunidades de ecoturismo de base comunitária.

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Vista aérea de um grupo de pessoas em um barco branco e azul, navegando em águas verde-escuras. A maioria veste camisetas verde-água, alguns estão na proa, outros no convés. Uma pessoa senta na borda da proa, com as pernas para fora.
Tubarões da Baía da Ilha Grande: equipes monitoram populações de tubarões na região há mais de três anos (Tubarões da Baía da Ilha Grande/Divulgação)

Por que o registro chama atenção

A Baía da Ilha Grande é considerada uma das áreas mais importantes do litoral brasileiro para a reprodução do tubarão-galha-preta (Carcharhinus limbatus). Todos os anos, com a chegada do inverno, fêmeas da espécie migram para a região em busca de águas mais quentes e protegidas, onde passam o período de gestação.

Segundo os pesquisadores, a Enseada de Piraquara de Fora concentra a maior agregação conhecida de tubarões-galha-preta de toda a costa brasileira e já recebeu reconhecimento internacional como área essencial para a conservação da espécie. “É justamente por isso que o aparecimento de um tubarão-mako chama atenção. Trata-se de uma espécie oceânica, normalmente encontrada em mar aberto e raramente observada tão próxima do litoral”, resume Leonardo Mitrano Neves.

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