Tubarão-mako, o mais veloz do mundo, é avistado em Paraty
Flagrante da espécie, que atinge 90 quilômetros por hora, é o primeiro registro documentado por imagens na Baía da Ilha Grande
Um tubarão-mako (Isurus oxyrinchus), considerado o mais veloz do planeta, foi avistado nesta terça (14) próximo à comunidade da Ponta Grossa, em Paraty. As imagens, registradas por pescadores artesanais e encaminhadas aos pesquisadores do Projeto Tubarões da Baía da Ilha Grande, representam o primeiro registro documentado da espécie na região.
Embora a baía seja conhecida por abrigar tubarões-galha-preta e pescadores relatem há décadas a presença do mako, nunca havia sido obtida uma fotografia ou vídeo que comprovasse sua ocorrência naquele trecho do litoral sul fluminense. “Registrar um mako, cuja velocidade pode chegar a 90 quilômetros por hora, é muito incomum, principalmente próximo à costa, e só confirma a potência da biodiversidade dessa região”, afirma Leonardo Mitrano Neves, professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), biólogo e coordenador científico do Projeto Tubarões da Baía da Ilha Grande.
As imagens chegaram à equipe por meio de Maiara Pimenta, bióloga e coordenadora de ações comunitárias do projeto Tubarões da Baía da Ilha Grande. Filha de pescadores e criada em Tarituba, em Paraty, ela lidera o trabalho de aproximação com as comunidades caiçaras, promovendo ações de conscientização sobre pesca sustentável e conservação dos tubarões. O envio espontâneo das imagens pelos pescadores é resultado dessa relação de confiança construída ao longo dos últimos anos.
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Realizado pelo Instituto Ibracon em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, o Projeto Tubarões da Baía da Ilha Grande monitora populações de tubarões há mais de três anos.
Além das pesquisas com drones, câmeras subaquáticas e expedições embarcadas, a iniciativa desenvolve um programa permanente de diálogo com pescadores artesanais de comunidades de Paraty, Angra dos Reis e Ilha Grande. O objetivo é unir conhecimento científico e saberes tradicionais para fortalecer a conservação marinha, incentivar práticas de pesca sustentável e criar oportunidades de ecoturismo de base comunitária.
Por que o registro chama atenção
A Baía da Ilha Grande é considerada uma das áreas mais importantes do litoral brasileiro para a reprodução do tubarão-galha-preta (Carcharhinus limbatus). Todos os anos, com a chegada do inverno, fêmeas da espécie migram para a região em busca de águas mais quentes e protegidas, onde passam o período de gestação.
Segundo os pesquisadores, a Enseada de Piraquara de Fora concentra a maior agregação conhecida de tubarões-galha-preta de toda a costa brasileira e já recebeu reconhecimento internacional como área essencial para a conservação da espécie. “É justamente por isso que o aparecimento de um tubarão-mako chama atenção. Trata-se de uma espécie oceânica, normalmente encontrada em mar aberto e raramente observada tão próxima do litoral”, resume Leonardo Mitrano Neves.





