Turismo de aventura: modalidade cresce impulsionada pelas redes e acende alerta
Com paisagens que atraem aventureiros, o Rio exige atenção na escolha de operadores e equipamentos; tema voltou ao debate após morte de jovem em Limeira
As imagens que circularam maciçamente pelas timelines em junho são aterradoras: uma jovem de 21 anos é lançada de uma plataforma de cerca de 40 metros rumo à morte. Em Limeira, interior de São Paulo, Maria Eduarda de Freitas pagou 180 reais por um salto de rope jump, modalidade em que a pessoa pula de pontes, penhascos ou plataformas presa a um sistema de cordas. A empresa responsável pela atividade não conectou o equipamento de segurança ao corpo da cliente, que não resistiu à queda. A investigação da Polícia Civil concluiu que uma série de falhas nos protocolos de segurança levou ao acidente. Quatro suspeitos estão presos. O inquérito aponta que os responsáveis alternavam funções durante a operação, sem uma organização definida para conferir os dispositivos antes de cada salto. O caso vai além do rope jump e acende um alerta para quem busca experiências radicais: num mercado que cresce impulsionado pelas redes sociais, a escolha pelo prestador de serviço é tão importante quanto a aventura em si. No Rio, vídeos de praticantes saltando da Pedra da Gávea — um dos cenários mais emblemáticos para a modalidade — acumulam milhares de visualizações e ajudam a popularizar a atividade entre aventureiros. “Muitas vezes, a empresa sequer é formalizada, e os funcionários são apenas pessoas acostumadas a praticar aquele esporte. Os interessados devem ligar o desconfiômetro”, aponta Eddie Dinelli, consultor em sistema de gestão de segurança para turismo de aventura.
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O setor de turismo de aventura conta com uma legislação específica desde 2010 e há uma série de normas técnicas da ABNT para diferentes modalidades — atividades como parapente e asa-delta, por exemplo, também devem seguir regras estabelecidas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Novidades como o rope jump não têm normas específicas, mas precisam adotar protocolos de gestão de risco. A fiscalização, geralmente atribuída ao poder público municipal, ainda enfrenta lacunas, e o Rio de Janeiro é um dos principais destinos brasileiros para esse tipo de turismo, reunindo centenas de operadores e recebendo milhares de praticantes todos os anos. Para Robson Paulo dos Santos, fundador da Time Adventure, agência de turismo de atividades verticais, empresas sérias devem ser transparentes em relação aos seus procedimentos. “Uma operação profissional possui planejamento, gestão de risco, equipe treinada, equipamentos inspecionados, seguro e protocolos definidos para cada etapa da atividade. Já uma operação improvisada depende da confiança excessiva do cliente”, afirma, acrescentando que sistemas redundantes e dupla checagem garantem que a segurança nunca dependa de um único equipamento.
O Procon-RJ reforça que o consumidor deve confirmar se a empresa está listada no Cadastur, sistema federal que reúne prestadores de serviço do setor de turismo. Exigir todas as informações por escrito, incluindo os equipamentos fornecidos, o grau de dificuldade da atividade, as regras de segurança e a política de cancelamento também é uma boa prática antes de fechar com uma empresa. O órgão orienta verificar se há seguro para os envolvidos e se há informações claras sobre riscos e procedimentos de emergência. Também vale observar o estado de conservação dos equipamentos, perguntar sobre a qualificação dos instrutores e confirmar se há kit de primeiros socorros e plano de resgate. Pelo Código de Defesa do Consumidor, a responsabilidade do prestador de serviço é objetiva, ou seja, em caso de falha, a empresa responde pelos danos causados independentemente de culpa. Cláusulas que tentam isentar o operador de responsabilidade em caso de acidentes não têm validade jurídica. Para quem busca viver experiências nas montanhas, paredões e florestas do Rio, a principal lição deixada pela tragédia de Limeira é simples: aventura envolve risco, mas a negligência jamais pode fazer parte do passeio.
Aventura sem sustos
Dicas valiosas para reduzir os riscos nessas atividades
Verifique se a empresa tem CNPJ ativo e alvará de funcionamento.
Prefira operadores cadastrados no Cadastur, quando aplicável.
Desconfie de preços muito abaixo da média do mercado.
Pesquise a reputação da empresa e leia avaliações de outros clientes.
Peça informações por escrito sobre riscos, seguro e regras da atividade.
Observe se os equipamentos estão em bom estado e são inspecionados.
Pergunte se a equipe faz a dupla checagem dos equipamentos antes da atividade.
Desista ao perceber improviso ou falta de organização.





