Onde o samba se encontra: a força da quadra do Salgueiro
Entre tradição, emoção e pertencimento, a vermelho e branco da Tijuca reafirma seu espaço como um dos palcos mais vibrantes do Carnaval
A quadra do Salgueiro vive um momento especial. Mais do que um endereço tradicional do samba carioca, o espaço se consolidou como um território simbólico de validação, representatividade e pertencimento. Estar ali é, hoje, quase um rito para quem respira escola de samba.
No último sábado (13), a vermelho e branco da Tijuca recebeu a Unidos de Vila Isabel e viveu mais uma noite emblemática da temporada, marcada por uma homenagem sensível a Haroldo Costa, mestre do samba que partiu na noite do próprio sábado. Com cerca de três mil pessoas, a quadra ficou completamente tomada por sambistas, curiosos e turistas, formando um público diverso, unido pelo mesmo compasso. Havia ali uma energia difícil de traduzir, mas impossível de ignorar.
Para a comunidade visitante, o encontro teve um sabor especial. Era o contato direto do salgueirense com a narrativa que a Vila Isabel levará para a Sapucaí em 2026, apresentada por meio de um belo samba. A emoção era visível nos rostos. Cada verso cantado parecia ganhar peso extra naquele ambiente carregado de história. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Dandara Ventapane e Raphael Rodrigues, fez uma linda apresentação; os carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad, circularam com leveza, interagindo com o público, sorrindo, dançando e vivendo a quadra como extensão da avenida.
A quadra do Salgueiro, mais uma vez, mostrou por que se tornou um dos espaços mais desejados do circuito do samba. Ali, o Carnaval não é apenas ensaio. É encontro, troca e afirmação de identidade. Um lugar onde histórias começam a ganhar corpo muito antes do desfile.







