Imagem Blog

Daniel Sampaio

Por Daniel Sampaio: advogado, ativista do patrimônio e fundador do Instagram @RioAntigo Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO

Calendário: saiba algumas comemorações redondas de 2023

Fizemos uma pequena lista de efemérides importantes para o Rio no ano que vem

Por Daniel Sampaio Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 21 dez 2022, 15h58 | Atualizado em 21 dez 2022, 16h04
Foto mostra o Copacabana Palace
Copacabana Palace: obras estão previstas para acabar no início de agosto (Alexandre Macieira/Riotur)
Continua após publicidade
Calendário: saiba algumas comemorações redondas de 2023 Priorizar nos meus resultados Google

Brasileiro gosta de comemoração; e o carioca mais ainda. Tem algo que nos fascina nos números redondos, não é? Parece que faz ainda mais sentido comemorar, relembrar, homenagear e refletir sobre pessoas, acontecimentos ou lugares quando eles estão completando 10, 50, 100 anos. São marcos temporais perfeitinhos, que indicam a passagem arredondada de mais um ciclo, também arredondado.

No ano de 2023, as efemérides que vão fazer parte da vida do carioca que ama vasculhar a nossa memória vão ser das mais variadas. Temos para todos os gostos, do hotel de luxo ao carnaval, do samba à MPB, de Madureira até a Barra. Vamos conferir?

100 anos do Copacabana Palace Hotel

Com a inauguração do hotel Copacabana Palace, em 1923, o bairro de Copacabana consolidou a sua posição de espaço elegante e cobiçado, tornando-se um ícone do Rio e do Brasil para o mundo. O atual Belmond Copacabana Palace foi construído ao estilo da Riviera Francesa — um projeto do arquiteto francês Joseph Gire. Parecia uma ilha de luxo em meio ao ambiente ainda um tanto inóspito que era a Copacabana da época.

Continua após a publicidade

Embora planejado para inaugurar um ano antes — na esteira das comemorações do centenário da Independência — as dificuldades para importar mármores e outros materiais luxuosos, bem como as ressacas de 1922, atrasaram as obras.

Ao longo de décadas, o “Copa” virou praticamente um sinônimo do bairro. A Princesinha do Mar e seu grande hotel atravessaram juntos as ondas da História. Tantos bailes de carnaval, réveillons, e dias ensolarados (ou não) por onde tanta gente andou, ao longo de quase 100 anos, certamente geraram muita história para contar. E até 13 de agosto, data de sua inauguração histórica, o Copacabana Palace deverá dar muito o que falar em 2023.

Continua após a publicidade
Foto mostra Copacabana Palace em 1925
Ressaca no calçadão em frente ao Copacabana Palace, em 1925 (Augusto Malta - AGCRJ/Reprodução)

Centenário de Emilinha Borba

Continua após a publicidade

Nascida no bairro da Mangueira em 1923, Emília Savana da Silva Borba foi uma das artistas mais queridas do Brasil. Participava desde criança de programas de calouro como o show de Ary Barroso e, já aos doze, passou a integrar o elenco do Cassino da Urca, após ter sido amadrinhada por ninguém menos que Carmen Miranda.

Conquistou uma legião de fãs no Brasil e no mundo, mas também teve suas inimizades. Algumas de suas rusgas polêmicas foram com as também cantoras Linda Batista e Marlene (que celebrou seu centenário em 22 de novembro).

Continua após a publicidade

Emilinha ficou famosa sobretudo por sua atuação na rádio Mayrink Veiga e na Rádio Nacional, onde, nesta última, obteve o título de Rainha do Rádio em 1953. Eternizou inúmeras canções, entre elas as marchinhas “Chiquita Bacana” e “Marcha do Remador”. Esteve também em mais de 30 filmes. Faleceu em 2005, devido a um infarto fulminante.

No ano de seu centenário, esperamos ver homenagens à memória de Emilinha Borba pela cidade e por seus palcos. Seu atuante fã clube já celebrou missa em outubro e está peticionando à Prefeitura por uma estátua da cantora na Lapa, onde também há uma praça com seu nome, na esquina da Rua do Senado com a Rua do Lavradio.

Continua após a publicidade

Nota: penso que o Rio celebra pouquíssimo suas Rainhas do Rádio.

Fotos de Emilinha Borba na década de 50
Emilinha Borba: cantora na década de 1950 (Internet/Reprodução)

100 anos da Portela

No ano de 2023 celebra-se o centenário da Portela, a tradicional agremiação de Oswaldo Cruz e Madureira, escola supercampeã, de tantos baluartes, mestres, tias e divas. Para marcar a importância dessa comemoração, a Portela leva para a avenida, com os carnavalescos Renato e Márcia Lage, o enredo “Te amo além do infinito!”, que conta justamente a história da escola e de seus 100 anos. O samba consagrado vencedor em 15 de outubro foi escrito por Wanderley Monteiro, Vinicius Ferreira, Rafael Gigante, Edmar Jr, Bira & Marcelāo, com participação especial de Hélio Porto, e desbravará a memória da Portela por meio de cinco personagens de sua história.

portela anos 70
Desfile da Portela nos anos 1970 (G. R. E. S. Portela/Reprodução)

90 anos do Rei Momo

Figura pândega e brincalhona, oriunda da mitologia grega e dos carnavais europeus, que havia aparecido por aqui somente nos palcos de teatros, o Rei Momo fez seu debut oficial no carnaval carioca há quase 90 anos. Em 1933, o cronista carnavalesco Edgard Drumond, do jornal “A Noite”, criou um boneco de papelão a quem chamou “Rei Momo I e Único”. No ano seguinte a essa brincadeira, o jornal decidiu criar um Rei Momo de carne e osso, que seria eleito anualmente, como rei do carnaval carioca. O escolhido foi Moraes Cardoso, um cronista de turfe do jornal, que atendia aos padrões estéticos (estar acima do peso e ter fama de glutão). Cardoso foi eleito por quinze anos consecutivos e o concurso ultrapassou os limites do jornal “A Noite”, tornando-se um certame oficial da cidade. Outro Rei Momo de grande fama e destaque foi Abrahão Reis, que reinou durante os anos 1950 e 1960.

reimomo-abrahaoreis-anos50
Rei Momo Abrahão Reis, em baile de carnaval nos anos 1950 (Blog Brazilian Pop/Reprodução)

70 anos da Petrobrás

Depois que um poço de petróleo foi encontrado no Recôncavo Baiano em 1939, o Brasil despertou para a possibilidade de termos ouro negro em nosso subsolo. Até Monteiro Lobato abraçou a causa da nacionalização do petróleo nos anos 1940. Surgia a campanha “O petróleo é nosso”, em defesa do controle nacional sobre o produto. O Rio de Janeiro, que na época era a capital do país, foi o palco dessas disputas políticas em torno do petróleo. 

Em 1951, durante seu governo democrático, Getúlio Vargas apresentou o projeto de criação da Petrobrás, e depois de muitas discussões no Congresso, em 3 de outubro de 1953 foi aprovada a lei nº 2004, que criou a Petróleo Brasileiro S.A., a Petrobras, e instituiu o monopólio estatal da exploração, do refino e do transporte do petróleo. A Petrobrás é a maior empresa brasileira e tem sua sede no Rio de Janeiro, na Av. Chile.

(esq) Cartaz governamental de Getúlio Vargas (1953)/ (dir) Sede da Petrobrás na Av. Chile, final dos anos 1960
(esq) Cartaz governamental de Getúlio Vargas (1953)/ (dir) Sede da Petrobrás na Av. Chile, final dos anos 1960 (Museu Histórico Nacional/ (autor desconhecido)/Reprodução)

50 anos do álbum “Secos & Molhados”

Em agosto de 1973, o conjunto musical formado por João Ricardo, Gérson Conrad e Ney Matogrosso, lançou seu álbum de estreia. O disco foi um sucesso estrondoso, vendendo mais de 1 milhão de cópias pelo país (mais de 1500 somente na primeira semana). A banda Secos & Molhados, além de ter revelado o maravilhoso Ney Matogrosso, também tem relevância como uma banda inovadora e visionária, que, em um momento que a MPB se movimentava entre a Bossa Nova e a Tropicália, já nos sinalizava para o rock brasileiro, que reinaria apenas na década seguinte. Com seus figurinos e atitude extravagantes e ousados, os Secos & Molhados foram um fenômeno musical e comportamental, numa época em que a linha dura da ditadura calava as bocas de tantos.

Capa do álbum
Capa do álbum “Secos & Molhados”, 1973 (./Reprodução)

10 anos da Cidade das Artes

No ano de 2013, após anos e anos de abandono da antiga Cidade da Música, pensada na administração de César Maia, foi finalmente inaugurada a Cidade das Artes, um enorme espaço para diversas manifestações culturais, na Barra da Tijuca. Projetada pelo arquiteto francês Christian Portzamparc, a Cidade das Artes é a sede da Orquestra Sinfônica Brasileira e ganhou recentemente o nome de Bibi Ferreira, artista que teve seu centenário este ano.

Foto mostra a Cidade das Artes
Cidade das Artes Bibi Ferreira, em 2021 (Divulgação/Prefeitura do Rio de Janeiro)

*Daniel Sampaio é carioca do Grajaú. Advogado, ativista do patrimônio e embaixador oficial da cidade pela Riotur. Fundou há 10 anos o perfil @RioAntigo no Instagram.

Publicidade

Essa é uma matéria fechada para assinantes.
Se você já é assinante clique aqui para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em verde-limão e branco: O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com anúncios e produtos. Ao lado do celular, um ícone de árvore verde-limãoMão segurando um smartphone com tela branca exibindo notícias e produtos. À esquerda, texto verde e branco: O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. No canto superior direito, um ícone de árvore verde
Revista em Casa + Digital Completo
Impressa + Digital
Revista em Casa + Digital Completo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.
Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Assinantes da cidade do RJ

A partir de R$ 32,90/mês