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Daniela Alvarenga

Por Daniela Alvarenga, médica, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO

Para se divertir no carnaval sem esquecer do autocuidado

Sol, álcool, pouco sono e muita folia. Veja como atitudes simples ajudam a proteger a pele sem abrir mão da diversão

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12 fev 2026, 12h31 • Atualizado em 12 fev 2026, 13h47
Pequenos cuidados durante a folia fazem diferença.
Pequenos cuidados durante a folia fazem diferença.  (imagem gerada a partir de IA/Reprodução)
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  • O carnaval do Rio é um convite irresistível. A programação começa na praia, passa pelo bloco, atravessa a noite e, quando a gente percebe, o dia seguinte já chegou. É uma delícia — mas a pele costuma sentir o impacto desse combo de sol forte, álcool, pouco sono e alimentação fora de hora. A conta aparece em forma de inchaço, olheiras, acne, sensibilidade e perda de viço. E não se trata de abrir mão da folia. A ideia é outra: curtir tudo, mas com pequenas atitudes que ajudam o corpo — e a pele — a acompanhar o ritmo.

    O rosto inchado ao acordar é um clássico em dias de calor, bebida e comidas mais salgadas. O álcool favorece a retenção de líquidos e dilata os vasos, deixando a aparência mais cansada. Intercalar as bebidas com água faz uma diferença enorme. No dia seguinte, hidratação, compressas geladas e produtos calmantes ajudam a devolver à pele um aspecto mais descansado.

    As olheiras também costumam dar as caras nessa época. Afinal, é durante o sono que a pele se regenera. Quando ele falta por vários dias seguidos, o cansaço aparece no espelho. Sempre que possível, vale priorizar uma noite de sono um pouco mais longa entre um bloco e outro. Compressas frias com chá de camomila ou até água gelada ajudam a suavizar o inchaço da região dos olhos. Um cuidado simples, focado em hidratação e ação calmante, já faz diferença.

    Calor, suor e maquiagem resistente à água criam o cenário perfeito para a obstrução dos poros e o surgimento de espinhas. Nesse momento, menos é mais: limpeza suave duas vezes ao dia e remoção cuidadosa da maquiagem ao chegar em casa fazem toda a diferença. Esfoliações agressivas ou excesso de produtos tendem a piorar a inflamação. Se a pele estiver sensibilizada, vale dar uma pausa nos ácidos e apostar em fórmulas leves, que respeitem a barreira cutânea.

    A sensação de pele repuxando e sem viço é outro sinal clássico do carnaval. Dias de sol intenso e pouca água têm um preço. Beber líquidos ao longo do dia, mesmo sem sede, é um dos gestos mais simples — e mais eficazes — para ajudar a pele a se recuperar. No skincare, o foco deve ser hidratação e proteção, não tratamentos agressivos. Vermelhidão e sensibilidade também aparecem com mais frequência nessa época. Fórmulas calmantes e um protetor solar adequado ao tipo de pele ajudam a manter o equilíbrio. Aliás, o filtro solar é o melhor amigo do carnaval — com ou sem sol.

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    Os cabelos também entram na conta. Sol, sal, cloro, suor e penteados apertados podem ressecar os fios e sensibilizar o couro cabeludo. Durante a folia, vale apostar em leave-ins com proteção solar, prender o cabelo de forma mais suave e, sempre que possível, enxaguar os fios após praia ou piscina. À noite, uma hidratação rápida – ou uma máscara leve – já ajuda a devolver maciez e brilho.

    Outro cuidado simples é não passar horas sem comer. Levar uma barrinha de proteína ou um lanche leve na bolsa ajuda a manter a energia, evitar quedas de glicose e reduzir os exageros quando a fome aperta. O corpo agradece — e a pele também.

    E, claro, autocuidado também é proteção nas relações. O preservativo continua sendo o aliado mais importante para curtir o carnaval com responsabilidade e tranquilidade.

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    Do ponto de vista médico, outro cuidado importante neste período é com o consumo de bebidas energéticas. Serviços de emergência em todo o país têm registrado casos de arritmia, picos de pressão, desmaios, convulsões e até paradas cardíacas associadas ao uso dessas bebidas, especialmente entre jovens. O principal problema está na combinação de cafeína, taurina e outros estimulantes em altas concentrações, que atuam diretamente no coração e no sistema nervoso. Quando consumidos em jejum, em excesso ou misturados ao álcool — algo comum no Carnaval — os riscos aumentam significativamente. Para se ter uma ideia, uma única lata pode conter o equivalente a vários cafés expressos, uma carga que o organismo, principalmente o de adolescentes e adultos jovens, nem sempre tolera bem. Energia de verdade vem do preparo, da atividade física regular, hidratação adequada, alimentação balanceada, sono e respeito aos limites do próprio corpo.

    No fim das contas, cuidar da pele, do corpo e das escolhas durante a folia não é sobre vaidade. É sobre respeito a si mesmo, mesmo nos dias de exagero e liberdade.

    Carnaval bom é aquele que deixa memórias na cabeça — e não marcas na pele.

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