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Dra. Danielle Negri

Por Danielle Negri, pediatra especializada em neonatologia formada pela Universidade Federal Fluminense Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Saúde

Setembro Amarelo e a independência infantil

Estratégias são fundamentais para fortalecer habilidades socioemocionais

Por Danielle Negri
16 set 2025, 11h42 • Atualizado em 16 set 2025, 11h43
Crianças pulando
 (Lukas/Pexels)
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  • Setembro amarelo: estamos em um dos meses mais importantes do ano, dedicado para potencializar o impacto da saúde mental na vida das pessoas. Hoje, vamos abordar o quanto a independência infantil é essencial não só no âmbito educacional, mas principalmente no socioemocional. Diante disso, como construir resiliência nas novas gerações? Em primeiro lugar, é preciso entender o quanto a independência está associada aos fatores de saúde mental.

    De acordo com a BBC News Brasil, nas últimas décadas, diversos países registraram taxas crescentes de ansiedade, depressão e até suicídio em jovens. A publicação relata que nos Estados Unidos, em 2021, a Academia Americana de Pediatria e outras organizações médicas solicitaram ao governo para declarar estado de emergência nacional na saúde mental infantil.

    Vale destacar que no Brasil, a taxa de suicídio entre jovens cresceu 6% ao ano, entre 2011 e 2022. Por outro lado, as taxas de notificações por autolesões na faixa etária de 10 a 24 aumentaram 29% a cada ano. O número foi superior que na população em geral, segundo análise de um conjunto de quase 1 milhão de dados, divulgados em um estudo na The Lancet Regional Health – Americas, desenvolvido pelo Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidads/Fiocruz Bahia), em colaboração com pesquisadores de Harvard.

    O psicólogo americano e professor pesquisador de Psicologia no Boston College, Peter Gray, estudioso do tema há anos, revelou em entrevista à BBC que a “epidemia de psicopatologia” em crianças e adolescentes está diretamente ligada à redução do nível de independência. O acadêmico ainda afirmou em um artigo da revista médica Journal of Pediatrics, que “uma das principais causas do aumento dos transtornos mentais é a diminuição das oportunidades para crianças e adolescentes brincarem e se envolverem em outras atividades independentes da supervisão e controle direto dos adultos”.

    Para Gray e David Bjorklund, psicólogo da Florida Atlantic University, junto com o antropólogo da Utah State University, David Lancy, “as atividades independentes promovem bem-estar mental tanto de forma direta, como fonte de satisfação imediata para a criança, quanto no longo prazo, ao desenvolver resiliência e as caractérísticas mentais que fornecem uma base para lidar de forma com o estresse da vida”.

    O professor Gray ressalta que quando as crianças são privadas de brincar, também é neutralizada a sensação imediata de felicidade e satisfação, além da capacidade de desenvolver traços de caráter, como coragem e o que em Psicologia é chamado de locus de controle interno (definido como a tendência de uma pessoa de acreditar que tem controle sobre sua vida e consegue resolver os problemas que aparecem.

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    Atividades que geram independência

    O psicólogo americano indica que a partir dos dois anos de idade, as crianças já ganham uma “certa independência”, pois já querem realizar diferentes atividades sozinhos, e aos quatro anos isso é acelerado.

    Diante deste cenário, a partir de qual idade é indicado conceder mais independência as crianças e de que forma isso pode ser feito dos dois aos 12 anos?

    2 anos
    Nessa fase, a criança pode começar a ajudar em tarefas simples do dia a dia. Guardar brinquedos após brincar, tentar se alimentar com colher e copo de forma independente, escolher entre duas roupas oferecidas e ajudar a colocar roupas no cesto de lavanderia já são formas de estimular autonomia. Pequenos gestos repetidos criam o hábito de participar da rotina.

    3 anos
    Com 3 anos, já conseguem realizar pequenas tarefas com mais coordenação. Podem ajudar a vestir peças de roupa simples, lavar as mãos com supervisão, alimentar-se sozinhas com menos ajuda e organizar livros ou brinquedos em prateleiras baixas. Também podem ser incentivadas a dizer o que querem comer ou vestir, exercitando escolhas.

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    4 anos
    Conseguem colaborar ainda mais. Podem escovar os dentes com supervisão, ajudar a arrumar a cama, colocar o prato na pia após as refeições e participar no preparo de refeições simples, como misturar ingredientes. Também podem guardar sapatos e roupas em locais definidos, reforçando a noção de organização.

    5 anos
    É possível pedir que arrumem sua mochila da escola com supervisão, guardem seus pertences ao chegar em casa e ajudem a regar plantas. Já podem vestir-se sozinhos na maioria das vezes e começar a aprender a amarrar os sapatos. Também podem ser responsáveis por alimentar um animal de estimação com supervisão.

    6 anos
    Aqui já demonstram maior responsabilidade. Podem preparar um lanche simples, tomar banho sozinhos (com acompanhamento discreto), organizar materiais escolares e separar a roupa para o dia seguinte. Ainda podem colaborar em pequenas tarefas domésticas, como colocar a mesa ou dobrar roupas fáceis.

    7 anos
    Com 7 anos, podem ter tarefas fixas na rotina, como guardar a louça limpa, varrer pequenos espaços ou preparar a mochila sem supervisão. Já conseguem administrar um horário simples, como lembrar de escovar os dentes ou fazer o dever de casa. Também podem começar a lidar com pequenas quantias de dinheiro em situações seguras.

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    8 anos
    Podem se responsabilizar por tarefas domésticas mais elaboradas, como aspirar ou ajudar a preparar refeições simples no fogão com supervisão. Já podem arrumar a cama diariamente e cuidar melhor dos materiais escolares. Também é um bom momento para incentivá-los a organizar o tempo de estudo e lazer de forma mais autônoma.

    9 anos
    Aos 9, podem ajudar a lavar roupas na máquina, preparar um café da manhã simples sozinhos, lavar a louça e cuidar do quarto de forma independente. Também podem assumir responsabilidades contínuas com animais de estimação, como passear com um cachorro acompanhado por um adulto. A independência na organização escolar fica mais evidente.

    10 anos
    Aqui podem começar a planejar pequenas tarefas do dia a dia, como cozinhar refeições simples, aprender a usar o micro-ondas, organizar suas próprias coisas de higiene pessoal e gerenciar prazos escolares com pouco auxílio. Já podem ter pequenas responsabilidades fora de casa, como ir até a padaria próxima acompanhados.

    11 anos
    Já demonstram maior maturidade. Podem preparar refeições mais elaboradas, cuidar do quarto de forma completa, organizar materiais de estudo sem supervisão e ajudar irmãos menores. Também podem aprender noções de administração financeira simples, como poupar parte da mesada. A autonomia social também se expande, com convites e compromissos com amigos.

    12 anos
    Com 12 anos, a criança já se aproxima da adolescência e pode assumir responsabilidades bem maiores. Pode organizar a própria rotina de estudos, preparar refeições simples sozinha, cuidar de roupas (lavar e passar com supervisão), planejar atividades de lazer, ajudar em compras do mercado e lidar melhor com compromissos pessoais. Nessa idade, a confiança em sua autonomia deve ser reforçada.

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