Gordura no fígado dobra o risco de mortalidade: coração é o principal alvo
Pacientes com doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD) têm um risco 54% maior de morrer por doenças cardiovasculares

A gordura no fígado, também conhecida como doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD), representa um risco significativamente maior à saúde do que muitos podem imaginar. Trata-se de uma condição que dobra o risco de mortalidade por todas as causas e tem as doenças cardiovasculares como principal causa de morte. Embora esteja relacionada a graves complicações hepáticas, como cirrose e câncer de fígado, um estudo publicado no The Journal of Hepatology destaca que a principal causa de mortalidade entre pacientes com doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD), não é o fígado, mas sim doenças cardiovasculares. Esta associação reforça a necessidade de um diagnóstico precoce, visando mitigar os impactos sistêmicos e prevenir complicações fatais dessa condição.
Gordura no fígado: o coração, e não o fígado, é a principal causa de mortalidade
O impacto cardiovascular da doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD), é alarmante. Pacientes com gordura no fígado têm um risco 54% maior de morrer por doenças cardiovasculares quando comparados à população geral. Infartos, insuficiência cardíaca e acidentes vasculares cerebrais aparecem como as causas mais frequentes de óbito, superando até mesmo os problemas hepáticos graves. Isso reforça que a doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD), não afeta apenas o fígado.
Principais riscos de mortalidade relacionados à gordura no fígado
Embora os riscos associados ao fígado sejam extremamente altos, com um aumento de 27 vezes no risco de morte por doenças hepáticas graves e 35 vezes no risco de morte por câncer de fígado (HCC), as principais causas de mortalidade continuam sendo doenças cardiovasculares e cânceres não relacionados ao fígado. Esses dois fatores lideram as causas de óbito em números absolutos, destacando a ampla influência sistêmica dessa condição e seu impacto predominante em órgãos além do fígado.
Por que essa doença é tão perigosa?
A gordura no fígado frequentemente se desenvolve de forma assintomática, caracterizando-se como uma doença silenciosa. Estreitamente relacionada ao sobrepeso e à obesidade, ela está fortemente associada à resistência à insulina, fator que amplifica significativamente o risco de doenças cardiovasculares. Esses aspectos reforçam a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado para evitar complicações graves e potencialmente fatais.
Avaliação médica regular: prevenção e manejo de complicações
Para reduzir os impactos da gordura no fígado, é imprescindível uma abordagem multidisciplinar focada na gestão dos fatores metabólicos, visando mitigar os riscos cardiovasculares exacerbados pela doença hepática gordurosa. Adicionalmente, recomenda-se a adoção de intervenções no estilo de vida, incluindo práticas regulares de atividade física e um plano alimentar equilibrado. A avaliação médica regular, com a inclusão de exames cardiológicos, análises de imagem e biomarcadores hepáticos, desempenha um papel crucial na identificação precoce de complicações e na definição de estratégias terapêuticas personalizadas. Essa abordagem integrada é fundamental para mitigar a morbimortalidade associada à doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD).
Referência:
- Issa, G., et al. (2025). Cause-specific mortality in 13,099 patients with metabolic dysfunction-associated steatotic liver disease in Sweden. Journal of Hepatology. doi.org/10.1016/j.jhep.2025.03.001.