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Gilberto Ururahy

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Especialista em medicina preventiva

Encontro com a prevenção: a saúde começa na boca

Especialista falou sobre os impactos da saúde bucal com sobre a saúde geral

Por Gilberto Ururahy 17 abr 2026, 13h35
Guedes fala ao público durante palestra.
Guedes: cuidar da saúde bucal vai muito além da estética. Estudos demonstram que doenças gengivais, como a periodontite, estão associadas a um maior risco de doenças cardiovasculares, AVC e diabetes. (Divulgação/Reprodução)
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Dando continuidade à série “Encontro com a Prevenção”, que realizamos mensalmente na Med-Rio, recebemos na última edição, realizada esta semana o doutor Marco Antônio Guedes, odontólogo, especialista em prótese dental pela UFRJ, especialista em implantodontia pela PUC-Rio. Guedes abordou o assunto “A saúde começa na boca”.

O tema não foi escolhido ao acaso. Cuidar da saúde bucal vai muito além da estética. Estudos demonstram que doenças gengivais, como a periodontite, estão associadas a um maior risco de doenças cardiovasculares, AVC e diabetes. Por isso, a Med-Rio Check-up incorporou recentemente ao seu programa de prevenção o raio-X panorâmico das arcadas dentárias. Lesões como fraturas, cistos e tumores podem ser identificadas precocemente por meio desse exame.

Guedes iniciou sua fala destacando que o dentista, às vezes, acaba negligenciado dentro da visão global de saúde. “Existem diversas condições da saúde bucal que impactam diretamente a saúde geral. E nós, dentistas, precisamos estar atentos a isso. O paciente não chega como “uma boca” — ele chega como um indivíduo em todas as suas dimensões. E a nossa responsabilidade também está na prevenção”, ressaltou ele.

O especialista apontou que, em geral, as pessoas frequentam mais o dentista do que o médico e lembro que, antigamente, havia recomendação para que o dentista aferisse pressão arterial, porque poderia identificar mais casos de hipertensão do que o próprio médico. “Isso acontece porque a ida ao dentista, muitas vezes, é periódica — por conta da limpeza profissional”, explicou.

Guedes destacou a importância da radiografia panorâmica. “É um exame fantástico. Embora seja um exame bidimensional, ele permite identificar uma série de alterações, inclusive para o leigo”, afirmou. “A panorâmica é, para o dentista, o equivalente ao hemograma na medicina. Ela permite identificar perda óssea, infecções, cistos, tumores e diversas alterações que, muitas vezes, não são visíveis clinicamente.

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De acordo com o especialista, quando se fala sobre interações entre odontologia e medicina, o principal ponto é a doença periodontal, também conhecida como periodontite ou piorreia. “É a principal causa de perda dentária ao longo da vida. E, sem dúvida, é a condição que mais interage com o organismo como um todo”, ressaltou.

Segundo Guedes, é comprovada a relação da doença periodontal com doenças cardiovasculares, formação de placas de ateroma e problemas articulares. Ele ressalta que essa relação pode ser bidirecional, ou seja, doenças reumatológicas também podem impactar a saúde periodontal.

Para ele, é fundamental destacar outro ponto importante: o aumento significativo de próteses articulares — como joelho e quadril — especialmente em pacientes mais idosos. “Hoje, não se fala apenas em profilaxia para endocardite bacteriana. Pacientes com próteses articulares também precisam de cuidado preventivo odontológico, especialmente nos primeiros dois anos após a cirurgia. Com o tempo, a doença periodontal passou a atingir também os implantes. Ou seja: a chamada “terceira dentição” também pode adoecer. O paciente muitas vezes pensa: “Coloquei implante, estou resolvido.” Não está. É como uma revascularização: você resolve o problema, mas se não mudar o estilo de vida, ele volta”, afirmou Guedes.

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De acordo com Guedes, outro grupo importante são as infecções odontogênicas, originadas nos dentes, muitas vezes associadas a tratamentos de canal. Essas infecções podem gerar complicações importantes, como sinusites de origem odontológica. “Não adianta tratar apenas pelo nariz. Se a origem está na boca, é ali que o problema precisa ser resolvido. Essa sinusite pode ser causada por: infecções dentárias, raízes deslocadas para o seio maxilar ou implantes que migraram”, explicou.

Além disso, o especialista destacou também os casos de tumores e cistos da cavidade oral, muitas vezes identificados na radiografia panorâmica. Um exemplo clássico é o ameloblastoma — uma lesão que aparece como um “vazio” na mandíbula. Outro tema relevante é o uso de bifosfonatos. “Existe um certo conflito entre médicos e dentistas sobre o tema, mas o ponto principal é que pacientes que utilizam essas medicações precisam de acompanhamento e prevenção adequada”, disse.

Para Guedes, a base da prevenção em odontologia é a higiene, independentemente da idade. “Sem higiene adequada, não existe prevenção eficaz”, pontuou.

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Outro fator importante é o consumo de açúcar. “Não se trata de eliminar completamente, mas de entender o impacto, especialmente em pacientes com redução do fluxo salivar. A saliva tem um papel fundamental de neutralização, mas isso leva tempo — em média, cerca de quatro horas”, ressaltou.

O especialista falou ainda da importância de evitar o tabagismo (que atua como imunossupressor local), reduzir o consumo de álcool e realizar exames periódicos para a qualidade da saúde bucal.

A prevenção é a forma mais elegante e inteligente de cuidar da saúde.

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Gilberto Ururahy é médico há mais de 40 anos, com longa atuação em Medicina Preventiva. Em 1990, inaugurou a Med-Rio Check-up, líder brasileira em check-up médico e medicina preventiva. É detentor da Medalha da Academia Nacional de Medicina da França, é membro honorário da Academia Brasileira de Medicina de Reabilitação e coautor de livros: Como tornar-se um bom estressado (editora Salamandra), O cérebro emocional (Rocco), Emoções e saúde (Rocco) e Saúde é prevenção (Rocco, com o médico Galileu Assis). Ururahy é diretor da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Rio) e Chairman do Comitê de Saúde e diretor da Câmara de Comércio França-Brasil e Coordenador do Comitê de Saúde.

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