Até a casa de boneca entra no leilão do Jardim Pernambuco
“Temos muitos interessados em comprar, nem que seja uma pequena peça para guardar de recordação", diz o leiloeiro Horácio Ernani
Quem não pôde desembolsar R$ 220 milhões pela “casa mais cara do Brasil” terá, dia 14 de setembro, uma chance de comprar um pedaço dela. A mansão do Jardim Pernambuco (neste caso, a definição pega bem, já que do Rio qualquer 800 mts é chamado de mansão), no Leblon, começou a ser demolida nesta quinta (03/09), mas tudo o que puder ser reaproveitado será oferecido em um leilão de demolição, ou seja, arquitetos, decoradores, engenheiros, paisagistas e curiosos já podem preparar os lances e entrar na disputa de mais de 120 portas, em diferentes modelos e tamanhos, mais de 70 janelas, portões, grades, corrimãos, escadas e 20 postes de ferro fundido, além de mil metros quadrados de piso de peroba-do-campo, madeira de ipê retirada do telhado, telhas de ardósia, louças de banheiro, cabeamento de cobre e um portão de ferro fundido em dimensões praticamente palacianas.
A parte técnica também será desmontada e vendida: sistema de ar-condicionado com torre de resfriamento e mais de sete máquinas, equipamentos hidráulicos, três grandes geradores e um gerador com motor Mercedes-Benz. Os lances iniciais variam de R$ 300 a R$ 100 mil. Até os itens da casa de boneca do jardim, uma miniatura da mansão, serão leiloados.
Com 2.500 metros quadrados em três andares, são seis suítes e salas de estar, jantar, música e reuniões. Foi construída pela família de Antônio Amaral, antigo dono da rede de supermercados Disco, e ocupava um terreno de aproximadamente 11 mil metros quadrados.
“Temos muitos interessados em comprar, nem que seja uma pequena peça para guardar de recordação. Os lances on-line têm vindo de diversos lugares do país e até do exterior. Arquitetos experientes têm visto neste leilão de demolição um ótimo negócio para um novo projeto”, conta o leiloeiro Horácio Ernani.
No lugar do casarão será construído o Estância Pernambuco, empreendimento da Mozak com 10 casas e Valor Geral de Vendas estimado em R$ 360 milhões. Sete delas já foram negociadas, e os lotes são oferecidos a partir de R$ 23 milhões.
Segue até 11 de setembro o pregão com mais de 1.700 lotes de mobiliário, obras de arte, peças decorativas e objetos da propriedade. Entre os destaques estão “A Vênus morreu de amor”, de Beatriz Milhazes, de 1983, e uma pintura de Guignard, ambas com lance inicial de R$ 750 mil. O leilão inclui ainda mais de 600 peças que pertenceram a Adalgisa Colombo (1940–2013), Miss Brasil de 1958. Com obras de arte e objetos pessoais da socialite, o conjunto foi avaliado por especialistas em mais de R$ 15 milhões.
O endereço pode ser visitado no Jardim Pernambuco em agendamento com o leiloeiro.







