Caso Vorcaro: a diferença entre sofisticação e ostentação
Há quem transforme dinheiro em espetáculo de cafonice. Fica difícil imaginar um banqueiro mais tradicional rasgando dinheiro com a mesma desenvoltura
Daqui pra frente, quando alguém comentar que um casamento custou cinco milhões, por exemplo, pode perfeitamente surgir o pensamento: “Que valor modesto!”, diz uma carioca (rica), que dá festas bem exclusivas, ironizando a vida de Daniel Vorcaro, com suas festas nababescas e números quase de outro planeta — mesmo para quem tem os mais altos padrões.
Tudo depende do referencial, claro — e, se comparado ao do banqueiro, são extravagâncias sobre extravagâncias. Ostentação e sofisticação são coisas bem diferentes, embora muitas vezes confundidas. Há quem transforme dinheiro em espetáculo de cafonice. Fica difícil imaginar um desses banqueiros mais tradicionais rasgando dinheiro em público com a mesma desenvoltura.
Quem não sabe que, nesses casos, é muito mais fácil errar pela sobra de dinheiro do que pela falta?
A gente pode lembrar um almoço da colunista Danuza Leão, que sempre teve muita noção das coisas, com o decorador de festas Antonio Neves da Rocha, em junho de 2019, publicado aqui. A certa altura, ao comentarem sobre determinadas mulheres, ele disse: “Quanto mais ricas, mais bregas?”. Ela concordou, brincando: “Ricas com jeito de bregas!”. O que deve se aplicar a outros personagens e situações, por óbvio.
“Festa chique não está associada ao valor investido — podem ser poderosas e breguíssimas. O que vem na frente é a lista de convidados”, diz Antonio.
Em uma das festas de Vorcaro, em Londres, com degustação de uísque The Macallan e “otras cositas más”, que teve entre os participantes os ministros do STF Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski, ele gastou 640 mil dólares. Que tal?







