Crise no STF foi assunto proibido (e mais comentado) em almoço do LIDE
No palco, Campos Moreira falou sobre o avanço do crime organizado, segundo ele, "uma grande empresa com estrutura do próprio Estado"
No dia em que o país tentava entender a troca de acusações entre ministros do STF, o relatório da Polícia Federal sobre as relações de Daniel Vorcaro com figuras de Brasília e o pedido da PGR para anular a investigação, 120 empresários, autoridades e integrantes do Judiciário estavam no Fairmont, em Copacabana, para conversar sobre segurança pública e segurança jurídica, nessa quarta (02/09), em almoço do Lide.
O convidado era um procurador-geral. Não Paulo Gonet, chefe da Procuradoria-Geral da República e personagem da crise em Brasília, mas Antonio José Campos Moreira, procurador-geral de Justiça do Estado do Rio.
Alexandre de Moraes, André Mendonça, Daniel Vorcaro, Banco Master e PGR não apareceram nos discursos nem nas perguntas, mas em conversas à meia voz. Oficialmente, ninguém tocou no assunto. Extraoficialmente, era difícil pensar em outro.
No palco, Campos Moreira falou sobre o avanço do crime organizado, que, segundo ele, já funciona como uma grande empresa e começa a ocupar estruturas do próprio Estado. “É preciso identificar o crime hoje como atividade empresarial, que concorre com o setor formal. O tráfico é uma atividade secundária”, afirmou. Para o procurador, o caminho é seguir o dinheiro: “A política institucional do Ministério Público é investir firmemente na investigação patrimonial, na recuperação de ativos e asfixiar financeiramente as organizações criminosas”.
O tamanho da conta foi apresentado pelo presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano. Segundo o estudo Custo Rio, o estado gasta mais de R$ 31 bilhões por ano com segurança pública e privada. “A criminalidade deixou de ser um risco eventual para ser estrutural do nosso estado”, resumiu.
Campos Moreira também falou de um tipo de insegurança que tira o sono dos empresários sem precisar de arma: a jurídica. Criticou leis urbanísticas aprovadas sem respeito ao Plano Diretor e disse que o descontrole prejudica tanto quem investe quanto a população. “Aqui, as leis são atropeladas. É ruim para o empresário porque gera insegurança jurídica e é ruim para o contribuinte porque o empreendimento acaba sendo embargado”, afirmou.
Segundo ele, o Ministério Público e o Tribunal de Justiça criaram um núcleo para buscar acordos antes que os conflitos terminem nos tribunais.







