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Lu Lacerda

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Jornalista apaixonada pelo Rio

Crônica, por Eduardo Affonso: 12 de junho

Como essa gente lacradora de hoje acha que Tony Curtis, um dos maiores galãs do seu tempo, conquistou Marilyn Monroe?

Por Daniela 14 jun 2026, 07h05 | Atualizado em 14 jun 2026, 13h28
Grupo de 18 personagens famosos da cultura pop, incluindo Marilyn Monroe, Zorro, Jeannie, Fred Flintstone, Urso Zé Colmeia e Boo Boo, reunidos em uma sala de estar. Alguns estão sentados no sofá, outros deitados no chão e dois na cama ao fundo, todos sorrindo e interagindo
 (ChatGPT/Divulgação)
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Fala-se tanto em falta de inclusão, diversidade, representatividade, mas só pode ser gente que ainda não era nascida na década de 60 e tem a impressão que o planeta, antes de sua chegada a ele, era reacionário, quadrado e careta.

O Gordo e o Magro viviam juntos. Dormiam na mesma cama, inclusive. E era a coisa mais normal do mundo. Isso nos anos 1940.

Acha pouco?

Moe, Joe e Larry não eram tão patetas quanto se imagina: também coabitavam e dividiam o leito, num esquema de poliafetividade que não escandalizava ninguém.

Como essa gente lacradora de hoje acha que Tony Curtis, um dos maiores galãs do seu tempo, conquistou Marilyn Monroe, a mulher mais cobiçada do cinema? Não foi exibindo os bíceps ou agarrando-a pelo cabelo, como fazem os machos opressores de hoje no Carnaval, mas usando vestido, peruca e maquiagem pesada. Jack Lemmon, heterossexual convicto, acaba encontrando o homem da sua vida, Joe Brown, também vestido de drag quando as drags nem sonhavam em ser queens. Se não viu, veja: “Quanto mais quente, melhor” (1959) – talvez a melhor comédia de todos os tempos.

O que dizer dos inseparáveis Zorro & Tonto e Mandrake & Lothar, que, ainda por cima, eram relacionamentos interraciais?

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E Maga Patalójika e Madame Min?

Matracatrica e Fofoquinha?

Tom & Doug, que tinham não só um passado, mas também um futuro, e viviam juntos para lá e para cá, inseparáveis, no Túnel do Tempo?

Fred e Barney, com seus casamentos de fachada?

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Recruta Zero e seu fetiche bondage com o Sargento Tainha?

Emília, no Sítio do Pica Pau Amarelo, fazia de gato e sapato o Visconde de Sabugosa. E ainda se casou com um porco, o Marquês de Rabicó – num tipo de relacionamento que nem o ex-ministro Barroso aprovaria.

Um dos maiores mitos da nossa era foi o Dr. Smith, a quem é impossível descrever de modo politicamente correto. Ele fez mais pelo movimento LGBTQIAP+ da época (que ainda não existia) do que qualquer parada gay. Era uma péssima influência para o pequeno Will Robinson, e nem por isso o garoto desgrudava dele (com a anuência dos pais, John e Maureen Robinson, que ou eram muito ingênuos ou simpatizavam com a causa).

Dr. Smith ainda por cima mantinha um relacionamento abusivo com uma criatura cibernética e não binária, o Robô. A quem, durante as frequentes D.R.s, chamava, toxicamente, de “lata de sardinha enferrujada”. E não há evidências de que o pequeno Will ou a ingênua Penny Robinson tenham virado genderfluid ou se tornado de Humanas por causa disso.

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Jeannie morava com o Major Nélson sem serem formalmente casados – isso num tempo em que mulher amigada era vista como uma sirigaita, não como descolada.

A empoderada Agente 99 era muito mais esperta que o abilolado Agente 86. A tripulação do Star Trek era mais multiétnica que os anúncios da Benetton e da Natura e que as séries da Netflix, juntos.

Do Zé Colmeia & Catatau e do Batman e Robin eu nem vou falar, porque ainda não consegui encontrar um jeito de aportuguesar “sugar daddy”.

Aos que acham minha geração careta e retrógrada, saibam que éramos bem mais progressistas do que vocês imaginam.

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Eduardo
(arquivo pessoal/Arquivo pessoal)

 

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