Imagem Blog

Lu Lacerda

Por Lu Lacerda Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Jornalista apaixonada pelo Rio

Crônica, por Marcelo Madureira: De Capuletos & Montecchios

No final das contas, gente “bem” acaba sempre se “cruzando” — com duplo sentido, por favor

Por Daniela 15 out 2026, 19h30 | Atualizado em 16 out 2026, 10h34
Casamento em preto e branco com noivos e convidados em escadaria de prédio clássico. A noiva, ao centro, usa vestido de renda com cauda longa e véu, segurando um buquê cascata. O noivo veste fraque. Os convidados, homens de fraque e mulheres com vestidos longos e chapéus, posam ao redor. Dois funcionários uniformizados estão ao fundo, nas laterais
 (./Divulgação)
Continua após publicidade
Crônica, por Marcelo Madureira: De Capuletos & Montecchios Priorizar nos meus resultados Google

No último fim de semana, a nata da sociedade carioca se movimentou — devidamente protegida por seguranças gatérrimos — em torno do casamento de Giulia Be e Conor Kennedy.

A noiva é filha do empresário Paulo Marinho, também conhecido como “Coelho” nos tempos áureos da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (aquela que Naji Nahas assassinou). Paulo foi casado com a exuberante Maitê Proença e com a deslumbrante Odile, viúva de Porfírio Rubirosa — este último, o derradeiro playboy (junto ao saudoso Jorginho Guinle) do jet set internacional.

Para quem não é iniciado nas altas rodas: aqueles portentosos moedores de pimenta que os maîtres ostentam nos restaurantes carregam o apelido histórico de “Rubirosa”. Uma sutil alusão às dimensões avantajadas das partes pudendas do insaciável Porfírio, dote que enlouquecia as mulheres e despertava a inveja nos homens.

Menciono isso porque o pai da noiva carrega a mesmíssima fama: a de que a Mãe Natureza foi soberbamente generosa com ele no quesito “penduricalhos”. Paulo Marinho sempre foi um homme à femmes, um womanizer — recuso-me a usar o termo “mulherengo” do português, porque soa a cafajeste.

Continua após a publicidade

Não custa lembrar que os varões da família Kennedy também sempre foram altamente chegados ao “belo sexo”. A começar pelo patriarca, Joseph — filho de irlandeses católicos, alpinista de negócios e de mulheres que, de bootlegger (contrabandista de bebida) nos tempos da Lei Seca, chegou a embaixador dos EUA em Londres. O velho Joe colecionava em sua alcova estrelas de cinema e outras “horizontais” de alto coturno de Hollywood, para desespero da matriarca carola e careta, Rose Kennedy. Como se sabe, o filho e ex-presidente John F. Kennedy e seu irmão Robert (avô do noivo) deram continuidade à tradição testicocéfala do clã, inclusive dividindo, fraternalmente, os favores da diva imortal Marilyn Monroe.

Tudo isso para concluir que, no final das contas, gente “bem” acaba sempre se “cruzando” — com duplo sentido, por favor. Vocês sabem, em sociedade tudo se sabe. Já dizia o Ibrahim.

Continua após a publicidade

Esse casamento de proporções avantajadas contrasta com os dias que correm, em que pessoas de profundo mau gosto insistem em discutir Lula e Flávio Bolsonaro até na sauna do Marimbás. O assunto, vulgar e enfadonho, divide famílias tradicionais, joga no lixo amizades centenárias e abala até casais que antes toleravam civilizadamente seus respectivos adultérios.

Gente da aristocracia não discute política; gente de sociedade apenas “manda”, conforme seus interesses e conveniências. Veja lá se alguém da estirpe deles vai perder tempo de pé, numa fila de zona eleitoral, misturado a domésticas, porteiros, sujeitos de chinelo e bermuda vestindo camiseta do Vasco.

Continua após a publicidade

Nem morta!

Marcelo Madureira é humorista do Casseta & Planeta, paranaense de Curitiba e engenheiro de produção. Escreve o Agamenon no Substack com seu parceiro Hubert e participa do videocast “Não É Bem Assim”, no Canal Meio. Entre muitas outras coisas, é marido, pai e avô exemplar.

Publicidade

Essa é uma matéria fechada para assinantes.
Se você já é assinante clique aqui para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Multidão em protesto na rua, com pessoas de costas e braços erguidos, e capas da revista Veja com manchetes sobre política e notícias, promovendo jornalismo de qualidade
Revista em Casa + Digital Completo
Impressa + Digital
Revista em Casa + Digital Completo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.
Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Assinantes da cidade do RJ

A partir de R$ 32,90/mês