Eduarda Pachá (Ilhas do Rio): “Trabalho para proteger um pedaço do Rio”
"Sou daquelas cariocas que não conseguem imaginar a vida longe do Rio"
Sou daquelas cariocas que não conseguem imaginar a vida longe do Rio. E foi justamente essa paixão que me fez mudar completamente a direção da minha carreira. Apesar dos pesares e de tudo o que a cidade ainda precisa melhorar, sou movida por um otimismo de que esse Rio que a gente ama pode, sim, ser melhor. Mas isso não vai acontecer sozinho. Começa por nós.
Sempre tive o privilégio de trabalhar no Rio, mas, nos meus últimos anos como executiva na área de experiência do cliente de uma grande empresa, a ponte aérea para São Paulo virou rotina. E eu sabia que era só uma questão de tempo até surgir o convite para me mudar de vez para a terra da garoa, algo cada vez mais comum. Eu já tinha decidido que não arredaria o pé daqui. Mas, mais do que isso, entendi que queria trabalhar pelo Rio, e não só nele. Queria fazer algo com impacto, contribuir de verdade, deixar um legado. Foi quando saí da zona de conforto e fui atrás disso.
Hoje trabalho para proteger um pedaço do Rio que muita gente vê todos os dias, mas poucos conhecem de verdade: o mar. Estou na direção executiva do Ilhas do Rio, uma iniciativa de conservação marinha com o propósito de proteger o oceano com foco na nossa costa, incluindo as Ilhas Cagarras, um dos cartões-postais da nossa cidade. Na troca diária com pesquisadores e educadores, me vi completamente encantada por esse universo de peixes, tartarugas, baleias e golfinhos, e, principalmente, pela complexidade e importância desse marzão que é quintal de casa. Como muitos cariocas, eu sempre tive cultura de praia, mas não cultura oceânica. E isso muda tudo.
Quando você mergulha nesse mundo, às vezes literalmente, entende que aquele azul que a gente admira da areia é muito mais do que cenário. É vida. É de onde vem grande parte do oxigênio que respiramos, é o que regula o clima e ajuda a equilibrar o planeta. O oceano trabalha por nós o tempo inteiro. E a verdade é que ainda fazemos muito pouco por ele.
Acabo de completar meu primeiro ano na organização e, em paralelo, dei as boas-vindas ao meu primeiro filho (nascido neste sábado, 28/03). Tenho pensado muito sobre o futuro, não de forma abstrata, mas concreta mesmo. Do tipo: que Rio ele vai encontrar? Sonho com o dia em que vou levá-lo para o mar, de snorkel e nadadeira, para mostrar na prática o que a mãe dele faz. Quero contar a história dos animais que vivem ali, das aves que ocupam as ilhas, das ondas que nunca são iguais. Quero que ele aprenda a nadar, a respeitar e, principalmente, a se sentir parte desse ecossistema.
Li recentemente que filhos fazem o que veem, e não o que ouvem, e que o nosso comportamento é provavelmente a maior influência sobre a conduta deles. Parece óbvio, mas foi um lembrete importante. Não adianta só falar de sustentabilidade, é preciso viver isso no dia a dia, nas escolhas pequenas e grandes. Dizem que filho de peixe, peixinho é. Então vou me esforçar para que ele cresça entendendo esse mar de coisas, não só como paisagem, mas como responsabilidade. Porque a minha geração futura já chegou. E é agora, no presente, que a gente decide qual Rio vai deixar para ela.
Eduarda Pachá é advogada de formação pela PUC-Rio, cursou MBA em Gestão Empresarial pela FGV, e trabalhou por mais de 7 anos na WeWork, liderando a área de experiência do cliente no Brasil. Apaixonada pelo Rio, natureza e esportes ao ar livre, atua hoje na gestão do Ilhas do Rio para impulsionar ações que promovam a agenda de conservação do oceano e o desenvolvimento sustentável.





