“Invertida”, com Amora Mautner: “Tenho paranoia com velhice”
Uma das marcas de Amora é quebrar a artificialidade das cenas, assim como faz na vida
“Quem Ama Cuida”, a nova novela das nove de Walcyr Carrasco, estreou com uma sequência de enchente que tirou o ar do telespectador. E você acha que a diretora ficou longe da água? Amora Mautner colocou roupa de mergulho e ficou de um lado para o outro. Em tempos de inteligência artificial e cenas plastificadas, a direção realista de Amora foi elogiada tanto pela crítica quanto pelo público.
O primeiro capítulo foi como ela: elétrico, detalhista e emocionado. A parceria com Walcyr vem desde “A Dona do Pedaço” (2019) e agora ganha reforço de Claudia Souto, autora de “Volta por Cima” (2024), que divide o texto da trama.
Amora já tem trajetória na emissora, onde está desde 1991, quando entrou como atriz em “Vamp”, e por trás das câmeras desde 1995, em “Malhação”. São 27 trabalhos entre novelas e séries.
A diretora que acompanha a reação do público em tempo real, conversa com atores, é doce, e gosta de elogiar. “Letícia Colin é algo indescritível. Minha filha (Júlia Palmeira, do casamento com o ator Marcos Palmeira) se emocionou com cada cena. Apaixonada por você, Leticia. Choro a cada cena que vejo do Chay (Suede), da Isabel (Teixeira), do Tony. O que é o Tony Ramos? Já chorei cinco vezes, está até desagradável”, brincou ela nas redes.
Filha do compositor Jorge Mautner e da historiadora Ruth Mendes, tem 50 anos, 31 de televisão e uma lista de trabalhos que inclui “O Cravo e a Rosa” (2000), “Cordel Encantado” (2011) e “Avenida Brasil” (2012), atualmente no “Vale a Pena Ver de Novo” — porque o brasileiro realmente não supera Carminha, e nem pretende. “A mulher antimonotonia”, brinca uma das atrizes de “Quem Ama Cuida”. Antes das gravações foi distribuído um questionário com 80 perguntas para cada integrante do elenco sobre suas rotinas pessoais: do cardápio de casa aos hábitos de leitura. Ou seja, a aproximação com os atores — e com a verdade de cada personagem — é total.
Uma das marcas de Amora é quebrar a artificialidade das cenas, assim como faz na vida. “O Brasil quer pessoas de verdade. E temos isso com esta trama: um elenco que está pulsando. Se o público não gostar, acho que eu desisto de fazer novela”, disse durante o lançamento, em São Paulo.
Uma loucura: Esse elenco (de “Quem Ama Cuida”). Um sonho e uma loucura feliz.
Uma roubada: Tento não entrar em roubada. Mas roubada, pra mim, hoje em dia, são lugares com muita gente. Toda vez que eu estou nesses lugares, eu certamente estou querendo sair deles. Risos.
Uma ideia fixa: Um diretor que eu sou muito apaixonada, chamado Roy Andersson. Tenho outra: o sonho de abrir um negócio, já já chego lá com minha sócia.
Um porre: Caramba. Queria muito ter um porre novamente. Faz mais ou menos uns três anos que eu quase não bebo. Quase nada. Não sei o que aconteceu comigo, mas eu te digo que eu adoraria um dia tomar um porre. Vamos ver se no final da novela, se fizer sucesso, eu tomo um porre com esse elenco maravilhoso.
Uma frustração: Quando a gente acredita muito que uma coisa vai acontecer e não acontece. No momento, a minha maior frustração seria o público não gostar da novela como nós, que estamos fazendo, estamos gostando.
Um apagão: Na hora me veio “Os Irmãos Karamazov”: as discussões entre os filhos e Fiedor.
Uma síndrome: Descobri que eu tenho uma síndrome mesmo. Talvez, não sei se eu tenho, porque na verdade eu não fui num médico ainda, mas eu acho que eu devo ter um pouco de toque. Então, acho que isso entra na síndrome. Tenho também uma síndrome, digamos, de perfeccionismo nas formas.
Um medo: Só quer um? Risos. Tenho muito medo de tudo igual tenho muita coragem com tudo. É uma mistura dessas duas coisas o tempo todo pra mim. A vida.
Um defeito: Tenho vários defeitos que eu já tô tentando melhorar, o que é mais difícil pra mim é falar demais. É… Falo muito. E queria diminuir 30% do que eu falo. Mas já tô indo num caminho de melhora.
Um desprazer: Desprazer pra mim é não poder ler. É passar um dia inteiro sem poder parar e ler. Pra mim, a coisa que eu mais quero como futuro é organizar a minha vida em volta de um cotidiano que eu tenha pelo menos três horas por dia pra ler.
Um insucesso: Nossa, são tantos. Não só no trabalho como na vida. Mas as minhas maiores lembranças de insucesso, e que ainda estão vivas em mim, são mais pessoais do que de trabalho. É claro que eu tenho e tive insucessos, mas eu… É como se… Pra mim isso fizesse mais parte do negócio. No ponto de vista pessoal, isso demora mais pra eu elaborar.
Um impulso: Tenho o impulso da liberdade. Fui criada com isso. Então, pra mim, a vida é sobre liberdade existencial. E cada vez mais eu me encontro nesse entendimento.
Uma paranoia: Tenho paranoia com velhice. Mas também tô tentando resolver, não tenho conseguido na análise, mas um dos meus nichos de análise é entender e resolver tirar uma espécie de paranoia que eu tenho em relação a já estar começando a envelhecer.





