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Lu Lacerda

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Jornalista apaixonada pelo Rio

Marcelo Calero, de volta do Líbano: “Eu poderia ter morrido”

Diplomata voltou do Líbano e foi nomeado assessor especial II do gabinete do prefeito Eduardo Cavaliere

Por Daniela 13 set 2026, 07h04
Homem branco de barba e camisa xadrez roxa sorri, sentado em uma poltrona vermelha de auditório, com outras poltronas vazias ao fundo
 (./Divulgação)
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Marcelo Calero, de volta do Líbano: “Eu poderia ter morrido” Priorizar nos meus resultados Google

Marcelo Calero mal teve tempo de matar a saudade da família, dos amigos e do mar e já assumiu um cargo na prefeitura. Depois de passar um ano e meio no Líbano, em missão transitória, parte desse período sob bombardeios, o diplomata voltou à cidade e foi nomeado assessor especial II do gabinete do prefeito Eduardo Cavaliere, um endereço que ele conhece bem: o Centro Administrativo São Sebastião, na Cidade Nova. Embora ele se refira com bom humor à sua nova “salinha”, não será sua primeira temporada por ali.

Antes da missão no Oriente Médio, Calero esteve à frente das secretarias municipais de Cultura e de Governo e Integridade Pública, além de ter sido ministro da Cultura e deputado federal. Carioca de vida bem atuante, frequente em exposições, festas e encontros políticos de várias as gerações – afinal, o cargo pede – nunca deixou de acompanhar, mesmo de Beirute, o que acontecia no Rio.

Em menos de uma semana na cidade, já apareceu em evento de campanha, gravou o programa Arena dos Saberes, com Gabriel Chalita, e reassumiu seu lugar no grupo político de Eduardo Paes e Cavaliere.

Aos 44 anos, vigor de 25, Calero costuma gravar vídeos para as redes, muitas vezes de sunga ou sem camisa, na academia puxando ferro, aproveitando o talento físico que falta à maioria dos políticos, mostra bastidores das viagens, divulga cultura e mantém os seguidores por perto. Na sua época de ministro, costumava receber pedidos de casamento, de ambos os sexos, e reproduzia comentários como  “passou na fila da beleza muitas vezes”, “casa comigo” e convites para visitar outros estados.

Entre as agendas, ele conversou com a coluna:

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1 – Como foi a temporada no Líbano? Foi mais fácil ou mais difícil do que você imaginava? E o que essa experiência acrescentou ao diplomata e ao carioca?

O início da minha temporada foi bem mais tranquilo, porque o país estava sob o cessar-fogo de 2024. Infelizmente, no começo de 2026, houve a retomada mais explícita do conflito entre o Hezbollah e Israel, com muitos bombardeios, inclusive em Beirute. A vida cotidiana ficou muito mais difícil. Ao mesmo tempo, o povo libanês é extremamente resiliente, sofisticado e culto. São pessoas muito amigas e verdadeiras nas relações, que acolhem os estrangeiros com amor e afeto. Isso facilita bastante a vida de um diplomata, porque elas realmente querem ajudar e fazer com que você se sinta à vontade no país. Eu percebia isso nas mais diversas situações: ao usar um serviço de saúde, no supermercado ou dentro do meu condomínio. Tirando um pouco a roupa de diplomata e falando como cidadão, o Líbano é um país que já passou por diversas reconstruções, algo que também conversa com a história do Rio. Essa é uma lição que trago comigo como carioca.

2 – Você chegou a sentir medo durante os momentos mais graves do conflito?

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Era uma realidade bastante complicada. Existe uma vigilância permanente de Israel sobre Beirute e o Líbano. A todo momento havia um drone sobre a nossa cabeça. Ouvir à noite o barulho de um drone espionando você é muito esquisito, embora isso seja quase acessório diante de um conflito no qual se pode estar no lugar errado, na hora errada. No dia 8 de abril, quando houve uma grande ofensiva no Líbano, um dos ataques aconteceu muito perto da embaixada. Conseguimos vê-lo da janela, a cerca de 300 metros. Houve outro perto da academia onde eu malhava e mais um nas proximidades da minha casa. Se eu estivesse passando pela rua ou me deslocando naquele momento — era no meio da tarde —, poderia ter morrido. Mais de 300 pessoas morreram no país naquele dia. Certamente, não eram todas militantes ou integrantes do Hezbollah. Essa realidade de conflito deixa uma sensação muito estranha, do tipo, e ‘se eu estivesse ali?’.

3 – Do que você sentiu mais falta nessa temporada?

Na vida diplomática, existe sempre o dilema de ficar longe da família e das pessoas que nos são mais próximas. Isso é o mais difícil. Hoje existem ferramentas que nos aproximam digitalmente. Pelo WhatsApp, você consegue falar a qualquer momento com quem quiser. Mas nada disso substitui a presença. A distância da família é realmente o que mais pesa.

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4 – A experiência no Líbano mudou seu olhar sobre o Rio, seus problemas e suas qualidades?

Fiquei muito impressionado com a capacidade de reconstrução e reinvenção do povo libanês. De certa forma, é uma característica que também temos no Rio: estamos sempre nos reinventando. As famílias libanesas mantêm uma solidariedade muito forte. Isso também faz parte do nosso DNA brasileiro, até pela presença tão expressiva de descendentes de libaneses no Brasil, mas talvez a correria da vida cotidiana nos faça esquecer um pouco disso. Outra comparação que me chamou a atenção foi a relação com o mar. Beirute também é uma cidade à beira-mar, mas a população usa muito menos a praia do que nós. Foi aí que percebi como a cultura praiana está profundamente ligada à identidade carioca. No Líbano, seja pelas circunstâncias do conflito, pelas questões religiosas ou pelas dificuldades de transporte público, que praticamente não existe, as pessoas circulam e aproveitam menos a cidade. Isso me fez valorizar o esforço do Rio para democratizar seus territórios e permitir que as pessoas circulem mais.

5 – Em compensação, há uma violência cotidiana no Rio que não existe da mesma forma em Beirute…

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Lá não há uma questão de segurança pública como a que enfrentamos aqui. No Rio, talvez também vivamos em estado de vigilância permanente, mas por causa desse desastre que é a segurança pública da cidade. No Líbano, esse problema praticamente inexiste. Cada lugar tem suas dificuldades e seus desafios.

6 – O retorno à prefeitura já estava combinado ou acabou se tornando inevitável?

Eu já havia conversado com o prefeito Eduardo Cavaliere sobre a possibilidade de, quando retornasse ao Rio, integrar sua equipe e ajudá-lo na assessoria. Isso se tornou realidade, e estou muito feliz com a oportunidade de contribuir para a administração de uma pessoa que, além de tudo, é minha amiga e altamente qualificada para dar continuidade ao trabalho do prefeito Eduardo Paes. Fico muito feliz de poder participar também desta nova etapa.

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7- Você mal desfez as malas e já chegou com tudo?

Pois é. No fim das contas, fiquei um ano e meio fora, mas continuei cultivando os amigos e mantendo essa relação, inclusive pelas redes sociais, com as pessoas que me acompanham. Também preservei minhas relações políticas. Embora eu não seja candidato, pertenço a um grupo político e tenho muito orgulho disso. Como cheguei às vésperas das eleições, é natural que me envolva e me mobilize em torno dos meus candidatos. Estou muito contente de poder participar.

8 – A nova “salinha” no Centro Administrativo São Sebastião é um retorno definitivo? Quais são seus próximos planos?

O futuro a Deus pertence. O diplomata está sempre de malas prontas e atento a qualquer missão. Neste momento, estou muito feliz por integrar a equipe do prefeito Cavaliere e trabalhar ao lado dele. As futuras designações vão dizer o que acontecerá mais adiante. Por enquanto, é preciso continuar atento e com as malas prontas.

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