Avatar do usuário logado
Usuário
Imagem Blog

Lu Lacerda

Por Lu Lacerda Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Jornalista apaixonada pelo Rio

Megaoperação: Conselho de Psicologia pede explicação ao gov do Rio

"O que muitos não perceberam — pois não ‘dá ibope’ — é a situação em que vivem os agentes de segurança pública do Rio, que trabalham abalados"

Por Daniela
31 out 2025, 17h27 • Atualizado em 31 out 2025, 18h49
fasdfasd
 (Agência Brasil/Divulgação)
Continua após publicidade
  • O Conselho Regional de Psicologia do Rio (CRP-RJ) enviou um ofício ao Governo do Estado pedindo explicações sobre quais medidas estão sendo tomadas para reduzir o sofrimento psicológico e social dos moradores afetados pela operação policial do último dia 28 de outubro — a mais letal da história do Rio.

    O Conselho lembra que os efeitos da violência ultrapassam o momento da ação, deixando marcas profundas na saúde física e mental não só de quem vive nas comunidades da Penha e do Alemão, mas de toda a cidade.

    Com base na Lei de Acesso à Informação, o CRP-RJ pediu dados sobre o planejamento da operação, os protocolos de cuidado acionados e se houve participação de equipes de psicólogos(as) no atendimento à população.

    O órgão também propôs a criação de um comitê permanente para acompanhar os impactos psicossociais das operações policiais, como prevê a decisão do STF.

    Do outro lado, estão os policiais. A operação mobilizou 2,5 mil agentes. Quatro deles morreram: o policial do Bope Heber Carvalho da Fonseca, 39 anos; o também policial do Bope Cleiton Serafim Gonçalves, 42; o policial civil Rodrigo Cabral, 34; e o policial civil Marcos Vinicius Cardoso Carvalho, 51, conhecido como Máskara.

    Continua após a publicidade

    A natureza imprevisível do trabalho policial expõe esses profissionais a situações constantes de alto risco e estresse. A perda de colegas aumenta a carga emocional — e ainda há uma forte pressão cultural, enraizada na ideia de ser “forte” ou “casca-grossa”, que desestimula a busca por ajuda psicológica.

    Conversamos com o deputado federal carioca Sargento Portugal, policial militar que chegou a servir no Bope, sobre o tema.

    “Não somos robôs ou simples peças de reposição. Somos pais, avós, filhos… Atrás de uma farda vive um ser humano, de carne e osso como vocês. Mas escolhemos uma profissão que é para poucos”, diz ele. “A megaoperação chamou atenção mundial e apresentou números nunca vistos na Segurança Pública, deixando claro que vivemos, em todo o estado do Rio, uma guerra civil. E não é de hoje.”

    Continua após a publicidade

    Portugal continua: “O que muitos não perceberam — pois não ‘dá ibope’ — é a situação em que vivem os agentes de segurança pública do Rio, que trabalham abalados e com medo excessivo de errar. Algumas cenas de policiais chorando na porta do Hospital Getúlio Vargas mostram o abalo não só físico, mas psíquico que enfrentam. Com esses quatro guerreiros tombados durante a operação, chegamos a 61 agentes assassinados no estado somente este ano — 51 deles PMs. E, junto a esses números, temos pelo menos mais oito suicídios, completando uma contabilidade macabra.”

    Para ilustrar o drama, o deputado criou uma analogia: “Imagine embarcar em um avião e encontrar o seguinte aviso na porta:
    ‘Senhores passageiros, este piloto está há 24 horas acordado, sofrendo de estresse e depressão. Está sem carga horária regulamentada, alimentando-se mal, com um auxílio-transporte de R$ 100 mensais. Também tem sofrido assédio moral, ameaças e perseguição por parte de seus superiores… Tenham uma boa viagem!’. Você entraria neste avião?”

    Atualmente, Portugal cursa faculdade de Gestão Pública. Ele é policial militar há 25 anos, sete deles cedido à Polícia Civil. Em 2002, atuou no Bope. É advogado com pós-graduação em Direito Militar.

    Publicidade

    Essa é uma matéria fechada para assinantes.
    Se você já é assinante clique aqui para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

    Impressa + Digital no App
    Impressa + Digital
    Impressa + Digital no App

    Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.

    Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
    *Assinantes da cidade do RJ

    A partir de R$ 29,90/mês