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Lu Lacerda

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Jornalista apaixonada pelo Rio

Pós-debate: quantos pesquisaram o que é milícia?

A milícia não é “poder paralelo” nem máfia, mas uma rede de poder entrelaçada ao Estado, que controla territórios, dinheiro e voto

Por Daniela 20 out 2026, 16h00 | Atualizado em 21 out 2026, 10h05
Vista aérea de uma favela no Rio de Janeiro, com casas simples e coloridas subindo um morro verdejante. Ao fundo, prédios modernos e altos contrastam com a paisagem, próximos a um rio e ao mar. O céu está parcialmente nublado, com a luz do sol poente iluminando algumas fachadas
Rio das Pedras, na Zona Oeste, é uma área totalmente dominada pela milícia (Agência Brasil/Divulgação)
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Pós-debate: quantos pesquisaram o que é milícia? Priorizar nos meus resultados Google

Mais de 1 milhão de pessoas foram ao Google depois do debate na Band, no domingo (18/10), pesquisar sobre milícia. Mas você sabe o que é?

A milícia não é “poder paralelo” nem máfia, mas uma rede de poder entrelaçada ao Estado, que controla territórios, dinheiro e voto. No Rio, esses grupos se desenvolveram com a participação de agentes e ex-agentes de segurança pública, além de civis. Sob o pretexto de “proteger” a comunidade, cobram pela suposta segurança e determinam quem pode vender, trabalhar e prestar serviços.

Na prática, o controle pode começar no botijão de gás, quando o morador fica obrigado a comprar do fornecedor autorizado pelo grupo, mesmo que encontre outro mais barato. A internet também pode estar nas mãos de empresas ligadas ou submetidas aos criminosos, que impedem a concorrência. O dono de um bar, salão ou mercadinho paga uma “taxa de segurança” para continuar funcionando. Vans e mototáxis entram na cobrança. Até a casa pode virar negócio: investigações documentam ocupações de terrenos, negociações irregulares de imóveis e expulsões de moradores para que suas propriedades sejam revendidas. Quem desobedece fica sujeito a ameaças e violência.

Um exemplo é a Operação Freedom, cujos desdobramentos levaram à condenação de 37 integrantes de uma milícia de Itaguaí, por crimes que incluíam extorsão, sequestros, tortura e homicídios. Segundo o Ministério Público do Rio, o grupo funcionava como uma espécie de “franquia” de uma organização da Zona Oeste carioca.

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O assunto voltou ao centro da campanha presidencial, com Lula explorando o histórico de relações de Flávio Bolsonaro com pessoas apontadas como milicianos.

No primeiro turno, um levantamento do Metrópoles cruzou resultados do TSE com o mapa do Instituto Fogo Cruzado e do GENI/UFF. Dos 311 locais de votação identificados em áreas sob controle ou influência de milícias na capital, Flávio foi o mais votado em 268 locais de votação, aproximadamente 86%, enquanto Lula liderou em 43. Nesses locais, em grande parte na Zona Oeste, o candidato do PL recebeu mais de 440 mil votos, contra cerca de 318 mil do petista.

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