Prefeito mantém exoneração de Monique apesar do resultado do júri
Monique Medeiros (mãe de Henry) teve a acusação de homicídio doloso (com intenção de matar) afastada pelos jurados
O prefeito Eduardo Cavaliere, assim como muitas pessoas, manifestou discordância em relação à decisão do II Tribunal do Júri do Rio no caso da morte do menino Henry Borel. O resultado foi anunciado nesta quarta (04/06), depois de 11 dias de julgamento — o mais longo da história do Tribunal de Justiça do Estado do Rio.
Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, foi condenado a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão, em regime inicial fechado. Já Monique Medeiros, mãe de Henry, teve a acusação de homicídio doloso (quando há intenção de matar) afastada pelos jurados, que desclassificaram o crime para homicídio culposo (sem intenção). Com isso, ela recebeu o perdão judicial concedido pela juíza Elizabeth Machado Louro.
“Causa certa perplexidade a decisão da Justiça de perdoar a pena de Monique Medeiros. Uma criança inocente e indefesa, alvo de constantes agressões, que foi brutalmente torturada e assassinada dentro de casa pelo padrasto Jairinho. Tudo na presença da mãe. Decisão judicial não se discute, se cumpre. Independentemente disso, quero informar que a decisão da Prefeitura do Rio de manter Monique Medeiros fora de seus quadros está integralmente mantida. Enquanto prefeito, pai e cidadão, farei de tudo para assegurar que as salas de aula sejam um ambiente não só de aprendizado, mas de proteção e respeito às nossas crianças. E não medirei esforços para garantir que esta ex-servidora jamais retorne aos quadros da Prefeitura”, afirmou Cavaliere.
O prefeito também lembrou que, em 24 de janeiro de 2023, a Prefeitura do Rio afastou Monique — então professora da rede municipal — com base no artigo 186 da Lei nº 94, do Estatuto dos Funcionários Públicos do Município. Segundo ele, a ex-servidora foi desligada em definitivo dos quadros da Secretaria Municipal de Educação em março deste ano.
“Essa é a única decisão possível capaz de proteger a comunidade escolar do Rio e que preserva os direitos garantidos pela Justiça a Monique. Que ela siga sua vida com um trabalho digno e honesto. Mas longe das salas de aula da rede municipal”, finalizou.
O MPRJ também vai recorrer da decisão sobre Monique. Responsável pela acusação ao lado das promotoras de Justiça Audrey Marjorie e Letícia Vieira, o promotor de Justiça Fábio Vieira ressaltou, em sua argumentação aos jurados, que o ex-vereador possuía histórico de agressão a mulheres e crianças, e que Monique ignorou sinais de alerta sobre o risco que Jairo representava para ela e para o filho. “O plenário do Júri demonstrou o acerto da investigação e da percepção da acusação ao condenar o ex-vereador. Quanto à mãe da criança, a sentença será objeto de recurso, uma vez que, em uma primeira quesitação, Monique foi responsável pela morte dolosa do Henry, então ela teria que ser condenada também pela morte dolosa”, disse o promotor.





