Rafael Bokor: Edifício Paysandú, um dos mais belos art déco no Rio
Aberta em 1864, desde a inauguração é rodeada por dezenas de palmeiras imperiais plantadas a pedido de Dom Pedro II
A Rua Paissandú, no Flamengo, é uma das mais charmosas do Rio de Janeiro. Aberta em 1864, desde a inauguração é ladeada por dezenas de palmeiras imperiais plantadas a pedido de Dom Pedro II. Foi nesse cenário bucólico que, em 1929, surgiu o Edifício Paysandú, o primeiro grande prédio da rua.
Projetado pelo arquiteto Eduardo Pederneiras e construído para o empresário Ernesto Fontes, o edifício tem entradas pela Rua Paissandú, 93, e pela Travessa dos Tamoios, 22. As duas fachadas são praticamente idênticas. A principal diferença é que uma delas tem como moldura as famosas palmeiras imperiais. Ambas apresentam o característico jogo de volumes do art déco, com planos que avançam e recuam, criando efeitos de luz e sombra.
O prédio tem 10 andares. O último pavimento era destinado aos antigos quartos de empregados dos apartamentos, conhecidos na época pelo termo francês chambre de bonne. Originalmente, as unidades eram numeradas de 1 a 36. Como havia quatro apartamentos por andar, quem visitava o apartamento 20, por exemplo, precisava descer no quinto pavimento. Hoje, a numeração foi modernizada, e o antigo apartamento 20 corresponde ao 504.
Os elevadores ainda preservam as portas pantográficas originais, enquanto os halls exibem mármores brancos e rosados, vitrais com desenhos geométricos, luminárias e até caixas de incêndio em estilo art déco, mantendo o charme de quase um século atrás.
O jornalista e compositor Nelson Motta morou no Paysandú durante a juventude.
Atualmente, o apartamento 504 está à venda por R$ 1.790.000, com a corretora Juliana Malafaia (@julianamalafaia). A unidade tem 271 m² e conta com hall em mármore, duas salas com varanda, quatro quartos — todos com varanda —, lavabo, copa, cozinha, área de serviço, banheiro de serviço e um quarto com janela no décimo andar. O edifício não possui garagem.
O imóvel pertenceu, até a década de 1960, a Joaquim Rolla (1899–1972), empresário que idealizou o histórico Cassino Quitandinha, em Petrópolis.





