Reflexão: como se faz o teste da corrupção?
Como um banqueiro chegou tão perto de tantas pessoas instaladas nos pontos mais altos do poder?
Por mais que você esteja com o seu sistema nervoso afetado, tente responder: como arriscar se alguém aparentemente incorruptível pode ser corrupto? Como se faz esse teste? Ninguém chega a uma autoridade e pergunta, assim, num café: “Quanto custa?”. Há certamente um caminho. A gente aproxima, conquista intimidade, oferece uma gentileza aqui, uma facilidade ali, observa a reação. E se a leitura estiver errada? Se aquilo que pareceu abertura for apenas cordialidade? O constrangimento seria enorme — e o risco, maior ainda.
Talvez seja aí que esteja uma das perguntas mais intrigantes do caso Vorcaro: como ele alcançou tantas possibilidades? Como um banqueiro chegou tão perto de tantas pessoas instaladas nos pontos mais altos do poder a ponto de se sentir à vontade para marcar encontros e oferecer facilidades?
Porque corrupção, quando existe, não deve começar no instante da proposta explícita. E talvez a pergunta mais interessante seja esta: o que alguém precisa enxergar no outro para acreditar que vale a pena avançar mais um centímetro?






