Reflexão: famosa quem? A transformação dos hábitos
A novela das 9 continua sendo uma das maiores vitrines do entretenimento brasileiro, mas já não unifica o Brasil como foi por décadas
Alguém não sabia quem era uma determinada atriz em recente estreia teatral, em Copacabana. Quem ouviu a pergunta — “Quem é?” — estranhou, já que a artista está no ar com todo destaque na principal vitrine da TV aberta, a novela das 9 da Globo, “Quem Ama Cuida”.
E ela respondeu: “Eu só veria novela por dinheiro”. Não aconteceu nenhuma quizila, digamos assim, mas os poucos que ouviram, estranharam.
Durante décadas, bastava aparecer nesse horário para virar um rosto conhecido em qualquer esquina do país. Um passaporte direto para a fama. Hoje, já não é bem assim. A audiência continua enorme, mas é muito mais fragmentada. Há quem viva no streaming, quem só acompanha redes sociais, quem passe longe da televisão e quem escolha apenas documentários, esportes ou séries. O comentário não é exatamente sobre a atriz, é sobre a transformação dos hábitos. A novela das 9 continua sendo uma das maiores vitrines do entretenimento brasileiro, mas já não unifica o Brasil como foi por tantas décadas.







