TSE reforça: igreja não pode virar comitê eleitoral
Segundo a Corte, não existe oficialmente a figura jurídica do “abuso de poder religioso”, mas, dependendo do caso, pode configurar abuso político
No Brasil, política e religião virou algo codependente, mas o TSE resolveu lembrar que uma coisa é o candidato aparecer no culto e rezar, ficar falando o nome de Deus enquanto comete as maiores cretinices, outra é transformar o púlpito em palanque com cabo eleitoral ungido e manteve, nessa quarta (20/05), a punição contra políticos de Votorantim (SP) que receberam apoio explícito de uma igreja durante as eleições de 2024.
Segundo a Corte, não existe oficialmente a figura jurídica do “abuso de poder religioso”, mas, dependendo do caso, a estrutura da igreja pode sim configurar abuso político ou econômico. No caso citado, a prefeita Fabíola Alves, o vice Cezar Silva e o vereador Pastor Lilo participaram de um culto da Igreja do Evangelho Quadrangular onde foram apresentados como “os escolhidos da temporada”, com o pastor dizendo que estavam “fechados” com os candidatos, com oração coletiva pela eleição e um projeto para eleger “120 vereadores”.
O ministro Antonio Carlos Ferreira disse que: “Esse conjunto de declarações afasta qualquer pretensão de que o evento tivesse caráter exclusivamente espiritual, demonstrando, ao contrário, que a estrutura e a autoridade religiosas foram deliberadamente instrumentalizadas como plataforma eleitoral”.
O Rio conhece bem essa fronteira entre altar e urna eletrônica: o ex-prefeito Marcelo Crivella, bispo licenciado da Igreja Universal, já enfrentou questionamentos e investigações envolvendo aproximação entre religião e campanha, em 2020. Mais recentemente, o pastor Silas Malafaia voltou ao centro do debate ao receber políticos em culto no Rio, incluindo Flávio Bolsonaro, Cláudio Castro e Marcelo Crivella, em evento que virou alvo de representação por suposta propaganda antecipada. Teve oração no altar, discursos políticos e demonstrações públicas de apoio eleitoral.
O curioso é que o TSE tenta garantir liberdade religiosa sem deixar que templos virem extensões oficiais de campanha, mas como sabido, a base evangélica só cresce no país.







