Claudio Botelho fala sobre montagem de Victor ou Victoria que chega ao Rio
Pela primeira vez a cidade receberá o musical que fez sucesso em São Paulo em 2021
Vinte e cinco anos é tempo demais para uma dívida cultural? A icônica montagem de Victor ou Victoria, que arrebatou São Paulo em 2001 com a eterna Marília Pêra, finalmente chegará ao Rio, a partir de 4 de junho no Teatro Claro Mais RJ, em Copacabana. Um dos responsáveis pela montagem, Claudio Botelho falou com VEJA RIO sobre o musical.
A montagem do clássico imortalizado no cinema por Blake Edwards e Julie Andrews, e considerado um dos marcos da representação LGBTQIA+, ganhou a chancela da dupla que traduziu a Broadway com sotaque brasileiro: Charles Moeller e Claudio Botelho.
Enquanto Charles assina o visual (com o habitual rigor estético), Claudio lapida o texto com uma carga afetiva extra. “Foi o meu segundo ou terceiro musical como tradutor convidado. Estava saindo de Les Miserables, em 2001, e mergulhei nessa obra que adoro por ser puramente jazzística”, recorda Botelho.
No papel-título, Alessandra Verney encara o desafio de equilibrar o legado de Julie Andrews e substituir Marilia Pêra, o tipo de coragem que o Rio admira. Miguel Falabella volta a dividir o palco com Verney após o êxito de Kiss me, Kate. “O Miguel é muito entusiasmado. Perguntei se ele queria fazer o Todd e ele topou na hora”, relembra Claudio.
O trio de comediantes se completa com Maria Clara Gueiros, que assume a pele de Norma Cassidy e entrega o grande spoiler estético da temporada: pela primeira vez, a atriz aparecerá platinadíssima no palco. “A Maria Clara vai estar fazendo pela primeira vez uma loira, realmente uma platinada”, adianta o diretor.
Com Junno Andrade no elenco e a batuta musical de Marcelo Castro, o espetáculo promete aquela mistura fina de deboche e glamour que o carioca adora consumir (de preferência fingindo que não está impressionado). Se o debate sobre gênero e liberdade parece exaustivo nas redes sociais, no palco de Moeller e Botelho, com o talento vocal de Verney e a imprevisibilidade afiada de Falabella e Gueiros, ganha glamour, orquestra e a inteligência que o assunto merece.
* Matéria do colaborador Thiago Machado





