Colômbia passa a exigir seguro viagem para entrar no país
Medida já está em vigor e pode impedir a entrada do turista que não apresentar a apólice na imigração
O turista brasileiro possui uma crença quase mística de que, atravessando a fronteira dentro da América do Sul, seu corpo adquire imunidade automática contra qualquer infortúnio físico. Afinal, é “logo ali”. Mas a Colômbia decidiu acabar com a farra da imprudência e elevou o tom: a partir de agora, quem desembarcar no país precisará apresentar, logo na imigração, uma apólice válida de seguro viagem.
A medida, que já está em vigor, coloca um merecido ponto final na ilusão de que o seguro é um gasto extra. É fascinante a engenharia financeira de quem investe em passagens aéreas, hotéis boutique e passeios paradisíacos, mas sofre de palpitações agudas ao considerar pagar um valor que, historicamente, representa menos de 1% do custo total das férias.
A Colômbia, num rompante de lucidez administrativa, percebeu que não lhe cabe atuar como fiadora de estrangeiros que torcem o tornozelo nas ruelas de Cartagena ou que sucumbem ao mal-estar dos 2.600 metros de altitude de Bogotá. O recado das autoridades migratórias é transparente: o sistema de saúde público colombiano não é uma instituição de caridade para visitantes internacionais.
O documento exigido deve cobrir, de ponta a ponta da estadia, despesas médicas, hospitalares, acidentes, internações e repatriação. A mudança aproxima o destino sul-americano de uma tendência global de amadurecimento e rigor turístico, alinhando-se a práticas já consolidadas na Europa.
Para evitar dores de cabeça logo na chegada, a recomendação expressa é ter a apólice em mãos, preferencialmente impressa e salva no celular. Brasileiros continuam muito bem-vindos e podem entrar no país sem visto por até 90 dias, munidos de passaporte ou RG em impecável estado de conservação.
O guia prático para não ser barrado na fronteira
Duração mínima: A apólice de seguro deve, impreterivelmente, cobrir o período integral da estadia. Do instante em que o viajante pisa em solo colombiano até a data exata do voo de retorno.
Cobertura e regras: Não basta contratar qualquer plano basilar de procedência duvidosa. O documento precisa ser explícito quanto à cobertura de despesas médicas, hospitalares, atendimento para acidentes, internações e repatriação (médica e funerária).
Antecedência: O seguro deve estar contratado e emitido antes do embarque no Brasil. Deixar para resolver o assunto na fila da imigração, torcendo pelo Wi-Fi instável do aeroporto e pela paciência do agente fronteiriço, é um atestado de amadorismo que as autoridades locais simplesmente não toleram mais.
Qual documento apresentar: O documento oficial é a apólice ou o certificado de seguro emitido pela seguradora. Ele precisa conter o nome do passageiro de forma perfeitamente legível, detalhamento das coberturas e as datas de vigência alinhadas com o roteiro.
Quando e onde apresentar: A exigência ocorre no momento crítico da chegada. A apólice deve ser entregue no guichê da imigração, imediatamente após o desembarque em qualquer aeroporto internacional ou fronteira terrestre colombiana, junto com o passaporte (ou RG em perfeito estado).
Formato de apresentação: O documento deve estar devidamente impresso na bagagem de mão e, por precaução, salvo em PDF de fácil acesso no celular. Um print mal enquadrado da tela do aplicativo não possui qualquer validade legal diante de um oficial de imigração.
Matéria escrita por Thiago Machado sob supervisão de Otavio Furtado





