A cosmopolita gastronomia de Belo Horizonte é um convite a rodar o mundo
Leo Paixão e casal Guilherme Furtado e Gabriella Guimarães provam que cidade tem opções multiculturais
É comum ouvir dizer que Belo Horizonte é uma capital com cara de interior. O acolhimento do povo mineiro talvez explique esse sentimento, mas não significa que não seja um destino cosmopolita.
Na gastronomia também é assim. A aconchegante culinária mineira já conquistou o paladar de muita gente de fora das fronteiras do estado, mas para muitos ainda é preciso descobrir como a cena local é multicultural.
O chef Leo Paixão talvez tenha sido o primeiro a ampliar essa percepção, muito graças a sua participação no Mestre do Sabor, da TV Globo. Mas agora tem uma dupla de aliados, o casal amigo Guilherme Furtado e Gabriella Guimarães, nessa missão de divulgar que em “Beagá” se come muito mais que feijão tropeiro e pão de queijo (mesmo que eles sejam itens obrigatórios em qualquer viagem para a cidade).
Comandando o grupo Glouton, talvez o mais importante da gastronomia belo-horizontina, Paixão é referência. Tudo começou com o restaurante homônimo, onde os jantares mesclam com perfeição ingredientes locais e referências internacionais. O endereço se tornou parada obrigatória para quem passa pela capital mineira.
Literalmente ao lado, o Ninita Cozinha surgiu do pedido de clientes que queriam opções mais descomplicadas. O que o próprio chef chama de “talvez o restaurante menos italiano do mundo”, apresenta ingredientes da culinária de Minas Gerais em pratos típicos do país da bota.
Também inspirado em receitas do outro lado do oceano, o Macaréu atravessou mares para oferecer um cardápio mediterrâneo que destaca frutos do mar. Leo ainda comanda Nicolau Bar da Esquina e o charmoso Mina Jazz Bar.
Em uma escala ainda menor, mas com igual potencial, Guilherme e Gabriella começam a criar o seu domínio em uma esquina agitada da cidade. De um lado está o Parallel, fundamentado na experiência do casal pelas cozinhas de Barcelona. Ali o cardápio é Espanha na veia, ou melhor, no prato. Um passeio pela história e memória afetiva dos dois através de sabores.
Ao lado tem o filho mais recente. O pequeno, mas charmoso, bar Vértice surpreende com criações inusitadas na coquetelaria, não deixando nada a desejar aos melhores bares de Rio ou São Paulo.
Mas não deixe de atravessar a rua e conhecer, o que para mim, foi a mais grata surpresa da viagem. Se não passaria na minha cabeça ir à Belo Horizonte para consumir comida asiática, posso assegurar que agora é indispensável para qualquer pessoa conhecer o Okinaki. Uma mescla de bar e restaurante, com comida de rua do continente amarelo da melhor qualidade.
Sim, ao chegar ao fim deste texto você percebeu que é possível fazer uma viagem de volta ao mundo através de sabores quando estiver por lá. E o melhor? Sem abrir mão da autenticidade mineira, presente nos pratos e no jeito único de receber a todos.







