A arte da primeira chef carioca estrelada Michelin além da gastronomia
Jessica Trindade assina desenhos que acompanham os pratos no novo menu do Madame Olympe
Os olhos marejados ao subir ao palco ao lado de Claude Troisgros para receber a primeira estrela Michelin do Madame Olympe escancaravam a emoção do momento. Jessica Trindade nem deve ter percebido, mas fazia história ao se tornar a primeira mulher carioca a conquistar a honraria.
Se na entrada do discreto restaurante podemos vê-la na cozinha demonstrando sua técnica no preparo das oito etapas que serão servidas, à mesa somos surpreendidos com outra expressão artística da chef. O novo menu vem escoltado com desenhos feitos por ela.
“Sei que é comum chefs fazerem esboços no papel como guia na criação dos pratos. Sempre fiquei encantada com isso. Tentei fazer, mas não me reconheci. Então comecei a brincar e interpretar com meu olhar todos os sabores que eu via no prato. O Claude me disse: pira! E estou me divertindo”, disse.
Trindade conta que os rabiscos começaram como forma de organizar o que estava pensando, usando lápis das filhas, mas sem pretensão alguma. Para os clientes parece inacreditável, já que a junção das suas criações faz total sentido. O que se vê no papel não é a reprodução do que está no prato, mas sim sua livre interpretação dos ingredientes.
Se a gastronomia é uma arte, e no caso de Jéssica premiada, ela agora se sente livre para novas expressões: “A arte é infinita, assim como as combinações de ingredientes em um prato. Isso instiga. Já me pego pensando em fazer poemas, pinturas, músicas…”. Nós, admiradores de seu trabalho, já ficamos na expectativa do quem vem por aí.







