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Vinoteca

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Marcelo Copello dá dicas sobre vinhos

Nem todo amor é perfeito — e nem todo vinho precisa ser

Todo mundo fala do par perfeito. Do vinho ideal para brindar o amor da vida. Mas e os outros amores?

Por Marcelo Copello Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 jun 2026, 05h00
Dia dos namorados
 (shutterstock/Divulgação)
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Nem todo amor é perfeito — e nem todo vinho precisa ser Priorizar nos meus resultados Google

Todo mundo fala do par perfeito. Do vinho ideal para brindar o amor da vida. Mas e os outros amores? Os improváveis? Os que não deveriam ter acontecido? Os que ainda doem — ou que doem de tão bons?

No Dia dos Namorados, a cidade se enche de jantares com menu fechado, corações de papel e espumantes rosés. Aqui tem casal que se conheceu no trânsito, ex que voltou do nada, affair com hora marcada, amor platônico que resiste há anos em DMs silenciosas. Tem até quem esteja apaixonado por alguém que nem sabe disso — ou pior: que sabe e finge não saber.

Para esses amores não óbvios, o vinho também pode não ser óbvio.

Para os que estão juntos “apesar de tudo”, talvez um vinho laranja: branco com alma de tinto, feito com a pele e com o tempo. Um vinho que passou por processos internos profundos. Como vocês.

Para os amores escondidos, um vinho natural — que não quer agradar, que não se filtra, que aceita sua própria turbidez. Afinal, há uma beleza trágica em se viver um amor que não pode aparecer na foto.

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Para quem ama e não é correspondido, um Riesling. Ácido, delicado, elegante — como aquela mensagem visualizada e nunca respondida. E ainda assim, inesquecível.

Para quem está só, mas bem acompanhado de si, um tinto do Piemonte, pode ser boa escolha: introspectivo, vinhos que sabem escutar. Que aquecem a alma em noites longas e que não julgam ninguém por abrir uma garrafa só para um.

E para os que vão brindar com um novo amor, quase acidental — por que não um Pinot Noir jovem? Fresco, elegante eousado. Que nem vocês.

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E para aqueles amores que já terminaram, mas insistem em aparecer em sonhos, músicas e cheiros… só há um par possível: um Rioja. Vinho envelhecido com nobreza, que carrega o tempo com elegância. Ele nos lembra que há histórias que não voltam — mas também não vão embora. Histórias que vivem em nós como um perfume esquecido no armário ou uma carta que nunca foi rasgada.

Neste Dia dos Namorados, esqueça a fórmula. Esqueça o ideal. Celebre o amor real. Com suas camadas, contradições, reencontros, partidas e todos os brindes que não foram feitos à mesa.

Escolha o vinho não pelo rótulo, mas pela história que você está vivendo — ou tentando esquecer. Afinal, o amor, como o vinho, é melhor quando não cabe em nenhuma categoria.

 

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