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Daniela Alvarenga

Por Daniela Alvarenga, médica, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO

Volnewmer: existe mesmo lifting sem cirurgia?

A tecnologia usada por Carolina Dieckmmann colocou a radiofrequência monopolar sob os holofotes. Mas o que ela faz e onde começam as promessas exageradas?

Por Daniela Alvarenga Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 set 2026, 17h02 | Atualizado em 17 set 2026, 10h39
Mulher loira de cabelos longos e ondulados, com expressão séria, usando um casaco branco texturizado e uma alça de bolsa marrom sobre o ombro. Ela veste um colar choker dourado e um colar mais longo com um pingente geométrico dourado, em fundo cinza liso
Carolina Dieckmmann contou que usa o Volnewmer: curiosidade e expectativa sobre o aparelho aumentaram  (Manoella Mello-TV Globo/Divulgação)
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Volnewmer: existe mesmo lifting sem cirurgia? Priorizar nos meus resultados Google

Nos últimos dias, um nome ganhou espaço nas redes sociais e nas matérias sobre beleza: Volnewmer. A tecnologia ganhou repercussão depois que a atriz Carolina Dieckmmann mostrou ter realizado o tratamento facial, apresentado muitas vezes como uma espécie de “lifting sem cirurgia”.

Eu conheço bem o aparelho. Tenho o Volnewmer no meu consultório, utilizo a tecnologia e gosto muito dos resultados que ela pode proporcionar. Talvez justamente por isso eu considere importante falar também sobre os seus limites.

Na dermatologia, gostar de uma tecnologia não significa acreditar que ela serve para tudo e todo mundo. E muito menos prometer resultados que ela não é capaz de entregar. O Volnewmer é uma radiofrequência monopolar contínua. De maneira simplificada, a energia produz um aquecimento volumétrico e controlado dos tecidos profundos, provocando a contração imediata das fibras existentes e desencadeando um processo de remodelação e estímulo de colágeno ao longo dos meses seguintes. Pode melhorar a firmeza, a densidade e a qualidade da pele, além de atuar em determinados graus de flacidez. Em pacientes bem indicados, os resultados podem ser muito bonitos e naturais.

Mas a primeira pergunta talvez seja justamente a mais frequente: “Ele faz realmente um lifting sem cirurgia?”. Depende do que chamamos de lifting. Existe um efeito de firmeza e melhora do contorno facial que pode produzir uma aparência de maior sustentação. Em pacientes com flacidez leve ou moderada, especialmente quando existe uma boa estrutura facial, essa mudança pode ser bastante interessante.

Mas nenhum aparelho não invasivo reproduz o que uma cirurgia de lifting facial é capaz de fazer. A cirurgia reposiciona tecidos, trabalha planos anatômicos profundos e retira excesso de pele. A radiofrequência não faz isso. E a cirurgia não estimula colágeno. As duas coisas não deveriam sequer competir entre si. Podem inclusive, em alguns casos, ser complementares. São indicações diferentes.

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E talvez um dos maiores problemas seja exatamente tentar fazer uma tecnologia parecer capaz de substituir todos os outros tratamentos.
“Mas qual aparelho é melhor?” Essa é provavelmente uma das perguntas que mais escuto no consultório. Volnewmer ou Thermage? Radiofrequência microagulhada ou ultrassom microfocado? Um aparelho recém-lançado é melhor do que aquele que já existe há alguns anos?

A resposta mais correta, embora menos atraente para as redes sociais, é: depende.

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Depende do rosto.
Depende da idade.
Depende da espessura da pele.
Depende da quantidade e distribuição de gordura.
Depende do grau de flacidez.

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Depende do que queremos tratar.
E depende, sobretudo, da expectativa daquele paciente.

Para acrescentar a experiência de quem também utiliza bastante essa tecnologia, conversei com a dermatologista Paula Bellotti. Ela reforça um ponto que considero essencial: “Tratar a flacidez com métodos não invasivos ainda é um desafio para nós, dermatologistas. Os resultados são individuais, podem exigir manutenção e a expectativa do paciente precisa ser muito bem discutida antes da indicação”, disse Paula.

Essa observação resume bem uma questão que, às vezes, se perde em meio à disputa entre aparelhos. Não basta perguntar qual é a tecnologia mais potente, mais nova ou mais comentada. É preciso entender qual delas faz sentido para aquela anatomia, naquela fase do envelhecimento e para aquele objetivo. Além disso, ainda são poucos os estudos comparativos robustos, independentes e bem desenhados capazes de demonstrar superioridade consistente de uma tecnologia sobre todas as demais.

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Portanto, quando alguém afirma categoricamente que determinado aparelho é “o melhor”, vale perguntar: melhor para quem? Melhor para tratar o quê? E com base em qual evidência científica? É aí que a experiência do médico passa a ser tão importante. Mais novo não significa necessariamente melhor. Na medicina, novidade e superioridade não são sinônimos. No entanto, é fato que os equipamentos evoluem. O grande diferencial das tecnologias de radiofrequência mais recentes está justamente na otimização da experiência e da segurança.

No caso do Volnewmer, houve um avanço notável na entrega homogênea de energia e nos sistemas de resfriamento contínuo da epiderme (water-cooling), associados a um mecanismo de vibração na ponteira. Na prática, isso permite aquecer a derme profunda com muito mais conforto e gerenciamento da dor, dispensando o uso de anestésicos fortes e eliminando o downtime (tempo de recuperação). Além disso, o design anatômico e flexível das suas ponteiras permite tratar áreas delicadas — como as pálpebras, o sulco nasogeniano e o contorno da mandíbula — com adaptação precisa às curvas do rosto.

Isso é excelente. Mas medicina baseada em evidências exige tempo. Uma tecnologia pode ser promissora, funcionar muito bem na prática e ainda assim não possuir décadas de acompanhamento ou grandes estudos comparativos. Reconhecer isso não diminui o aparelho. Ao contrário: aumenta a seriedade com que o utilizamos.

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Se o resultado aparece imediatamente, é outra pergunta que muitos me fazem. Uma parte pode ser percebida cedo. O aquecimento produz contração inicial das fibras de colágeno e alguns pacientes percebem uma sensação de maior firmeza e “tração” logo após o procedimento. No Volnewmer, esse efeito inicial é algo que costuma agradar bastante. Mas ele não deve ser confundido com o resultado final. O processo mais interessante acontece depois. O estímulo aos fibroblastos e a remodelação do colágeno levam tempo. Por isso o resultado tende a evoluir ao longo das semanas e dos meses seguintes, trazendo também uma melhora progressiva da qualidade e da densidade da pele. E aqui cabe outro alerta: fotografias de “antes e depois” precisam ser avaliadas com cuidado. Iluminação, posição do pescoço, ângulo da câmera e expressão facial podem produzir transformações impressionantes sem que nenhum tratamento tenha feito tudo aquilo.

Quanto mais energia, melhor? Não. Radiofrequência trabalha com calor. Existe uma faixa terapêutica adequada para produzir estímulo biológico sem causar dano. Aumentar indiscriminadamente a energia ou o número de disparos não transforma um tratamento bom em um tratamento extraordinário. Pode simplesmente aumentar os riscos. Por isso, continuo acreditando que, por mais sofisticada que seja uma tecnologia, o aparelho não deveria ser o protagonista do tratamento. Quem precisa entender de anatomia, indicação e limites continua sendo o médico.

Outra dúvida muito comum é se a  radiofrequência pode diminuir gordura facial? Essa discussão também merece atenção. Determinadas tecnologias e parâmetros podem produzir efeitos sobre o tecido adiposo. E isso não é necessariamente uma vantagem. O rosto envelhece também pela perda e redistribuição de gordura. Portanto, retirar volume de uma face que já apresenta pouco tecido adiposo pode, em determinados casos, acentuar características do envelhecimento em vez de melhorar.

Mais uma vez, chegamos à mesma palavra: indicação. Não existe protocolo universal para todos. Então, para quem eu gosto do Volnewmer?
Gosto do Volnewmer principalmente para pacientes em que desejo melhorar a firmeza, a qualidade de pele e graus leves a moderados de flacidez, de forma confortável, sem downtime e preservando rigorosamente os coxins de gordura e as características individuais do rosto. Ele é ótimo para quem busca o conceito de “tratar sem modificar” e pode ser elegantemente combinado a outras estratégias, como o ultrassom microfocado ou os bioestimuladores.

Mas isso exige explicar previamente o que a tecnologia provavelmente conseguirá fazer — e também aquilo que não conseguirá.
Talvez seja essa a conversa que esteja faltando em parte da dermatologia contemporânea. Radiofrequência, ultrassom, lasers, bioestimuladores e tantas outras ferramentas aumentaram enormemente nossa capacidade de tratar o envelhecimento. Mas ferramenta boa não é ferramenta indicada para todo mundo. E a pergunta “qual é o melhor aparelho?” talvez precise ser substituída por uma pergunta muito mais inteligente: “Qual é o melhor tratamento para este paciente?”
Acredito em diagnóstico.
Acredito em indicação.
Acredito em combinar tecnologias quando necessário — e em não tratar quando não é necessário.

Porque talvez a verdadeira sofisticação não esteja em ter sempre o aparelho mais novo. Esteja em conhecer suficientemente bem cada ferramenta para saber quando usá-la, quando combiná-la e, principalmente, quando ela não será capaz de entregar aquilo que o paciente procura.

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